Se tivesse previsto que um disco ao vivo rendesse tanto, Djavan talvez não teria demorado duas décadas e meia de carreira para gravar um show. ‘‘Djavan ao Vivo’’ (Sony Music), seu último trabalho, ultrapassa a marca inédita de 1,25 milhão de cópias vendidas. Foi lançado em setembro do ano passado, sucedido por uma turnê promocional que continua percorrendo o país.
Hoje ela estaciona em Londrina, onde o cantor e compositor alagoano se apresenta a partir de 22h30 no Ginásio Moringão. No palco, o cinquentão com fachada de garoto vai repassar sua carreira interpretando canções antigas como ‘‘Meu Bem Querer’’ e ‘‘Oceano’’ e mais recentes como ‘‘Eu te Devoro’’ e ‘‘Acelerou’’.
O repertório, que já era consagrado, nunca esteve tão na boca do povo. Há exatamente 1 mês, Djavan interrompeu a agenda lotada de shows para marcar mais um gol em seu currículo no 7º Prêmio de Música Brasileira. O evento, promovido pelo canal de TV Multishow, contemplou o artista com três troféus: melhor cantor, melhor disco e melhor show. Detalhe: os vencedores em cada categoria foram escolhidos pela audiência.
No desfrute da boa maré retrospectiva, Djavan chega ao ápice de sua trajetória, iniciada na metade da década de 70 quando despontou exibindo um talento genuíno, cujo segredo parecia estar numa maneira peculiar para construir frases e modular intervalos musicais. Samba, soul, funk, balada e ritmos nordestinos ganhariam com ele um sotaque particular, ainda que as letras de suas músicas sempre exigissem exegetas tal a profusão de versos desconexos e metáforas indecifráveis.
Filho tardio dos festivais, Djavan saiu do anonimato em 1975 ao participar do Festival Abertura – uma tentativa da Globo de ressuscitar as competições musicais realizadas no final dos anos 60, o que parece se repetir agora com o Festival da Música Brasileira. Djavan tirou a segunda colocação com o samba ‘‘Fato Consumado’’. Um ano depois lançou o primeiro álbum ‘‘A Voz, o Violão e a Arte de Djavan’’, que trazia a canção ‘‘Flor de Lis’’, executada ainda hoje nas rádios.
O estouro veio em 1980 com a música ‘‘Meu Bem Querer’’, a qual se sucedeu o álbum ‘‘Seduzir’’, considerado por muitos o ponto alto de sua discografia. Originalmente devotado ao samba e aos ritmos nordestinos, ele foi internacionalizando sua linguagem até a guinada pop no álbum ‘‘Luz’’, de 1982, que teve a participação de Stevie Wonder na faixa ‘‘Samurai’’. Na época, o artista foi escolhido por duas vezes consecutivas o melhor compositor do ano pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).
Depois de um período longe dos refletores, voltou às paradas no final da década com a canção ‘‘Oceano’’. Ao todo, foram 13 álbuns lançados ao longo de 25 anos de carreira, tempo suficiente para parir alguns clássicos imortais e ocupar um lugar na constelação de estrelas de primeira grandeza da MPB. Não à toa, ele foi homenageado com um songbook em 1997, no qual vários intérpretes – Chico Buarque, Caetano Veloso e Ed Motta entre eles – cantavam seus standards em três CDs.
Mas o ‘‘guardião da sofisticação nesses tempos vulgares’’ – segundo as palavras do jornalista Pedro Bial no texto de apresentação do último CD do compositor – tem sido objeto de críticas azedas nas últimas temporadas. Um suposto recuo estético, aliado aos apelos dançantes, revelariam um artista arredio a desafios. Sem novos projetos no caminho, o jubileu artístico deve se estender até o final do ano, provavelmente com shows no exterior.
Show de Djavan - Ingressos a R$ 20,00. Preço promocional de R$ 15,00 para quem apresentar o bônus da Folha. Estudantes pagam meia-entrada, que estará à venda somente na sede da ULES (Rua Duque de Caxias, 3241). Postos de venda: Via Celular (Catuaí Shopping), Sercontel Celular (Shopping Royal Plaza), Celular Solution (Av. Higienópolis, 334.14.14) e Stock Preço Único (Praça Gabriel Martins/Calçadão).

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