DJ tem Deus como 'refúgio'
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sexta-feira, 04 de janeiro de 2002
Nelson Sato 
A música eletrônica não fugiu à tendência. A exemplo do rock e do hip hop, o gênero também ramificou-se numa linhagem gospel. Mas, segundo os pioneiros do segmento, as referências cristãs estão mais ligadas ao comportamento dos seguidores do que propriamente a mensagens disparadas entre as BPMs (batidas por minuto).
A mensagem é a nossa própria vida, as atitudes que mostramos em nosso dia-a-dia. Não somos caretas, como dizem por aí. As pessoas pensam que o crente é o cara que usa terno, gravata e anda com a bíblia debaixo do braço. É uma imagem estereotipada. Somos normais, com a diferença de que temos Deus como refúgio e não as drogas explica o DJ e produtor evangélico Ramilson Maia.
Ele esteve em Londrina na última semana discotecando na casa noturna Hyp.e e aproveitou para divulgar suas novas produções independentes a compilação mix DJ Ramilson Maia apresenta Drum and Bass Brazuca Vol.1 e a coletânea Meg Música Eletrônica Gospel. Ramilson dispensa apresentações no meio. É um dos nomes mais festejados da cena eletrônica nacional.
Nasceu em Feira de Santana (BA), mas está há mais de uma década radicado em São Paulo. Transita pelos vários estilos da música de pista, incorporando percussão verde-amarela aos beats programados. É o único DJ do país a se apresentar ao vivo com um grupo de instrumentistas. Atualmente, conta com 2 bateristas, 1 tecladista e dois contrabaixistas (um deles acústico).
O problema é que nem sempre posso me apresentar com essa formação. Nem todas as casas têm dinheiro para bancar passagem e hospedagem para seis pessoas lamenta. Nos últimos cinco anos, Ramilson despontou como prolífico produtor lançando uma sucessão de singles em vinil gravados em estúdios caseiros, alguns deles editados pelo selo Innerground, criado em parceria com o produtor Xerxes de Oliveira.
É difícil sobressair apenas como DJ diz ele. Por isso, sempre preferi me dedicar à produção das próprias músicas. É o que fazem os DJs mais conceituados do mundo. Um cara de Londres nunca me viu atrás de uma pick-up, mas talvez já conheça a minha música. Talvez, afinal Ramilson teve alguns de seus discos distribuídos no exterior pelo selo Play it Loud, sediado em Miami (EUA) e comandado pelo produtor brasileiro Luiz Benedetti.
No ano passado, ele viu seu prestígio crescer ao integrar o cast da gravadora Trama, pela qual lançaria o CD É Música sob o projeto Ram Science. Ali enveredou por diversos ritmos do tecno e house ao tribal e drumnbass. Na faixa Experiência, dividia a autoria com o DJ londrinense Adriano Duim, sócio-proprietário da Hyp.e.
O novo CD, DJ Ramilson Maia apresenta Drum and Bass Brazuca vol. 1, também seria lançado pela Trama na última temporada, mas os diretores da gravadora decidiram adiar o projeto. Nesse meio tempo, ele recebeu um convite de distribuição por uma multinacional, a qual prefere não revelar o nome. Agora estou estudando as propostas conta.
No CD, Ramilson optou pela intensificação de climas. O repertório começa relaxante embutindo vocais e harmonias de bossa nova em algumas faixas, e prossegue com texturas sombrias e crescendos de BPMs. Ele assina a maioria das músicas, seja atuando sozinho ou em projetos (RamGui e Elbass). Na outra metade do repertório, desfilam nomes como In Projet (grupo de 12 DJs do Rio de Janeiro), DJ Telefunken, Drumagick, DJ Will & DJ Marnel, Mikrob e 4 Producers.
O material é desbravador, já que ostenta o pioneirismo de ser o primeiro CD DJ-mix (coletânea mixada por DJ) só com produção nacional. Tem que mostrar a nova safra, que é tão boa e tem caras tão competentes quanto o exterior exalta ele. O outro lançamento, Meg Música Eletrônica Gospel, aglutina DJs e produtores evangélicos. Três faixas são cantadas duas delas trazem remixes de Ramilson para composições do grupo de rap Apocalipse 16 (Tô na Paz Senhor e Paz nas Quebradas).
Para 2002, ele anuncia o lançamento de 5 discos, todos a princípio pelo seu selo R Comunicações. A intenção, revela, é conquistar o mercado internacional.


