Uma nova tendência desponta no universo dos DJs. Se a maioria dos profissionais e diletantes da área prefere manipular toca-discos ou aparelhos CD-J, um reduzido grupo já atua em clubes noturnos animando pistas de dança com faixas pré-programadas em computador.
O curitibano Ilan Kriger trabalha com discotecagem 100% digital, mas ele vai além em suas apresentações: boa parte de seu set é montado no calor da balada, com sequências de timbres e batidas editadas na hora, ao vivo. Para isso, ele utiliza o software Ableton. ''Esse software permite cortar, desmembrar e reeditar as músicas aproximando a técnica do DJ do processo de criação de um músico. Se, por exemplo, percebo que o trecho de uma faixa não está agradando, posso mudá-la em 1 segundo inserindo outro loop sem esperar que ela termine'', diz ele.
Kriger está ministrando uma oficina de música eletrônica para 30 alunos no 29º Festival de Música de Londrina. A turma inclui DJs, músicos e curiosos. Hoje à noite, eles comandarão uma festa no bar Valentino. Além da sessão de discotecagem, professor e alunos mostrarão um pouco do que está sendo realizado na oficina. ''O programa do curso inclui produção musical. Na festa, eles vão tocar as composições autorais criadas durante as aulas'', anuncia o DJ.
Durante a noitada, Kriger apresentará ainda recursos de vídeo com projeção de imagens em telão. ''As imagens trazem trechos de filmes e comerciais. É um elemento adicional das apresentações de um DJ, que antes se limitava ao áudio e à iluminação. Você tem que se atualizar com as novas ferramentas e desenvolver um trabalho único para se diferenciar nesse mercado'', explica. Segundo ele, o avanço das tecnologias facilitou a vida de quem deseja se aventurar na produção de música eletrônica.
''Antes as pessoas precisavam de um home studio para criar, gastando milhões para a aquisição das ferramentas. Hoje em dia, basta ter um computador em casa. E a internet favoreceu a inclusão social, porque qualquer pessoa pode baixar as músicas e - no caso dos DJs - tocá-las sem precisar comprar discos'', salienta. Para Kriger, ''o DJ é, de certa forma, um psicólogo''. ''A pista é um ser vivo com pessoas mais animadas, outras menos. Cabe a ele entreter a todos'', diz.
No próximo ano, Kriger comemora 10 anos de atividades no metiê. Já tocou e ainda toca regularmente nas casas noturnas mais badaladas de Curitiba. Faz parte da 3Plus, a maior agência de DJs do País. Dono de um selo fonográfico, já produziu e lançou dezenas de faixas próprias (usando 12 pseudônimos diferentes) e de outros artistas.
Há cinco anos, fundou na capital paranaense a Academia Internacional de Música Eletrônica (AIMEC), que se expandiu criando unidades em Balneário Camboriú (SC) e Campinas (SP). Ele acrescenta que no próximo mês será inaugurada uma sede em Porto Alegre (RS). ''Já formamos 3 mil DJs e produtores'', conta. Kriger está fazendo a própria ''cobertura'' de suas atividades no 29º FML, que podem ser conferidas em seu blog www.ilankriger.net.

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