São Paulo, 18 (AE) - Mais de 15 mil peças farão parte da Bienal dos 500 Anos, que será aberta no dia 25 para o público. Mas do crânio de Luzia (primeiro vestígio ósseo de um brasileiro) às telas de Franz Post, reunidas pela primeira vez em uma única exposição, apenas a lista integral de artistas contemporâneos foi mantida em sigilo, até as vésperas da abertura da exposição no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Em coletiva de imprensa realizada hoje, o curador-chefe da megaexposição e dos Núcleos de Arte Moderna e Contemporânea, Nelson Aguilar, divulgou o rol de artistas que participarão do setor dedicado à produção nacional recente. Quatro nomes são diretamente ligados à fotografia: Geraldo de Barros, Miguel Rio Branco, Rochelle Costi e Vik Muniz. Na sexta-feira, antes de revelar a lista, o curador havia explicado que considera o papel da fotografia fundamental para a arte deste século, porque, entre outras características, a natureza da linguagem fotográfica diz respeito às questões ligadas à reprodução, uma das chaves para o entendimento da arte contemporânea.
As fotografias serão mostradas em grandes painéis instalados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, que recebe toda a produção deste século. Representam a arte contemporânea artistas como Mira Schendel, Leonilson, Adriana Varejão, Atur Barrio, Flávio Shiró, Laura Vinci, Iole de Freita, Anna Bella Geiger, Carmela Gross, Marepe e Nuno Ramos. No mesmo edifício, a modernidade está representada por Franz Weissmann, Guinanrd, Henrique Alvim Correia, Abrahan Palatinik, Aldo Bonadei, Lasar Segall e Amílcar de Castro, entre outros.
Aguilar explicou que a estrutura da exposição é baseada em uma idéia do crítico Mário Pedrosa. Quando o Museu de Arte Moderna (MAM) sofreu um incêndio, em 1978, Pedrosa sugeriu que se criasse o Museu da Origem, que seria composto por cinco núcleos, entre eles Museu do Negro, Museu do Índio e Museu de Imagens do Inconsciente. O curador-chefe diz que, desde o início de seu envolvimento com o projeto, em janeiro de 1997, a idéia amadureceu e tomou formas diferentes.
"A idéia de um Museu do Negro ou de um Museu do Índio tem algo de gueto", afirma. "Assim, aprimoramos e desenvolvemos o conteúdo original da mostra". Aguilar crê que, graças ao seu cunho antropológico, a Bienal será o evento mais importante na comemoração dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. Edemar Cid Ferreira, presidente da Associação Brasil 500 anos de Artes Visuais, informou que só a exibição paulistana da mostra está orçada em R$ 40 milhões.
A mostra está com a presença confirmada em outras 12 capitais brasileiras. Para a realização desse roteiro itinerante
a Bienal irá financiar 60% da verba necessária. Dessa forma, a exposição terá de levantar apenas 40% em patrocínio local pelas outras capitais do País. Ferreira afirmou que apenas 305 do grupo de empresas que patrocinará a Bienal fez uso das leis de incentivo fiscal. Patrocinam os módulos da exposição a Aventis, a Bovespa/BM&F, Bradesco, DM9/DDB, Posfértil/Ultrafertil, Furnas
Petrobrás, Pirelli, Telesp Celular e Votorantim. Patrocinam em segmentos de mercado a Coca-Cola, Gran Meliá, Microsoft, Net, Petrobrás, Porto Seguro, Pão de Açúcar, Visa/Visanet. Os projetos especiais serão financiados pela AOL, BS/Santos Capitalização e Icep.
Exterior - O roteiro internacional, previsto para o ano que vem, ocorrerá de forma que muitas capitais européias e norte-americanas receberão a mostra ao mesmo tempo. "De maneira que, durante o ano, não haverá quem não saiba da importância do Brasil no circuito cultural". Ferreira também anunciou que serão publicados 14 catálogos (que chamou de enciclopédias) nos quais serão registrados esse encontro inédito da produção artística nacional.

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