Diversificação no ar
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sábado, 13 de abril de 2002
Francelino França Reportagem Local 
Uma avalanche sonora invade a Rádio Universidade FM 107, 9 MHz de Londrina. Depois de 12 anos no ar, nos últimos meses, o pacotaço de 41 programas faz parte da grade de programação, que ainda está em construção (leia texto nesta página). A maioria estreou nos últimos meses e alguns programas devem entrar no ar nos próximos dias.
Os programas são produzidos e apresentados por colaboradores. Uma das consequências imediatas da participação de tantos calouros foi a otimização do estúdio da emissora com gravações de manhã à noite. O ideal seria termos quatro estúdios para desenvolver o projeto que pensamos. Mas as idéias podem ser concretizadas sem idealização técnica. Precisamos de equipamentos e maior espaço, sim. Mas não depende só de estrutura, avalia a diretora superintendente da Universidade FM Janete El Haouli. A Rádio funciona em duas salas improvisadas no CECA e tem apenas 100 metros quadrados.
A professora da área de música assumiu a direção da emissora em setembro de 2001, no período em que foi deflagrada a greve da instituição. Na verdade, há três semanas que efetivamente assumi a Rádio, pondera a diretora.
Na programação diária, além do eixo jornalístico e musical voltado para a música brasileira, a programação apresenta várias vertentes musicais do mundo. Mas ainda impera o caráter vitrolão na programação diária. Nessa diversidade, diferentes gêneros e estilos musicais do mundo estão incluídos. Nesse leque estão inseridas a música erudita, regional, antiga e moderna do Brasil.
Como musicista, o direcionamento da emissora passa por esse canal. Penso a Rádio sonoramente. A Rádio é um canal aberto que tem que interagir com a comunidade, sintetiza. Na concepção da diretora, é preciso alimentar esteticamente as pessoas, respeitando as diferenças. Nessa filosofia de trabalho, Janete El Haouli constata que as rádios no mundo massificam as percepções. Como desconstruir?, questiona. Uma das saídas vislumbradas por ela é pensar a rádio horizontalmente, oferecendo ao ouvinte o contato com as mais diferentes tendências musicais e dar oportunidade aos produtores de compartilhar o acervo e conhecimento com a comunidade. Para que provoque escutas curiosas e inquietantes.
Para Janete El Haouli, no projeto de reestruturação da emissora, a idéia é pensar a informação como fato sonoro. Dentre as inovações na programação, estão a Rádio Rural, um documentário semanal com duração de uma hora, Cultura no Ar, cobertura ampla e aprofundada das manifestações culturais da cidade de Londrina e região e Colunas Radiofônicas, inserções semanais com duração de cinco minutos sobre os mais diversos assuntos. Dentre as atividades promovidas pela 107,9, o 1º Fórum de Rádios Educativas e Comunitárias do Paraná está programado para o mês de junho.
A Universidade FM necessita solucionar um grave problema sobre a recepção da Rádio no centro de Londrina. Em algumas cidades do interior de São Paulo, a recepção é perfeita. A capacidade do transmissor da Rádio é de 10 KW. Segundo os engenheiros consultados pela instituição, o problema na propagação do som está diretamente relacionado com a topografia da cidade e à selva de pedra que se tornou o centro de Londrina, com os aglomerados de edifícios.
Pelo relatório/diagnóstico encaminhado ao reitor Pedro Gordan, os problemas da emissora são crônicos, graves e passam pela falta de infra-estrutura (não há banheiro no local) até funcionários trabalhando em casa. Nesse caso, é para para que a emissora atinja um nível mínimo de qualidade dentro dos princípios norteadores que fundamentam o projeto da Rádio Universidade que são cultura, educação, ética, ecologia e arte.
Um dos novos programas da Universidade FM tem produção e apresentação da jornalista Denise Gentil e é destinado ao público infanto-juvenil. Tem Criança no Ar teve estréia na semana passada e tem como mote a música infantil de qualidade. O programa recupera nomes célebres como Toquinho e Vinícius e mostra raridades de Roberto Carlos em Pedro e o Lobo.
Quem sintonizar a Universidade FM pode descobrir a outra face do mercado fonográfico infantil que conta com expoentes Paulo Tatit e Sandra Peres (criadores do selo Palavra Cantada), Hélio Ziskind (criador de trilhas da TV Cultura), Grupo Rumo, Villa Lobos, Os Parlapatões, Quinteto Violado, Arnaldo Antunes, Paralamas do Sucesso. Dos paranaenses, serão selecionados trabalhos de Rosi Greca, Hardy Guedes e Leninha Garcia.
Denise Gentil defende que a música infantil propicia o estímulo à criatividade, desperta a ludicidade e pode ampliar o horizonte de conhecimento das crianças, incentivando a criança a buscar outras formas de expressão como o teatro, o cinema, a literatura e pintura.
Outro programa de bastante repercussão é a Estação Hip Hop, apresentado pelo Dj KSK. Um dos pontos fortes do programa ao vivo é a participação do público. KSK coloca temas atuais para que os ouvintes opinem via telefone. A audiência vem crescendo a cada sábado, dia em que o programa é veiculado.


