Diversidade nos palcos
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
As tradições culturais nordestinas, a obra do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e a poética visual da pintora mexicana Frida Kahlo estão entre as referências inspiradoras de espetáculos que serão apresentados hoje no 7º Festival de Dança de Londrina.
Uma performance de dança de salão abre a programação às 12 horas no Calçadão (em frente à agência do Banco Itaú) com participação de dançarinos do Espaço Latino. Em caso de chuva, a apresentação será transferida para a entrada do Teatro Ouro Verde, com entrada franca.
Às 18 horas, o brincante Pedro Salustiano mostra a riqueza das danças populares brasileiras na Concha Acústica. Convidado também para ministrar uma oficina dentro da programação didática do festival, o artista de Olinda (PE) executa um solo intitulado ''Samba no Canavial'', sob direção de Arnaldo Siqueira.
Na coreografia ele brinca, canta, toca e dança maracatu rural, caboclinho, frevo, cavalo-marinho, capoeira e coco. O cenário para essa alquimia de ritmos abrange uma variedade de elementos rústicos incluindo máscaras, vestimentas, arco, flecha, lança e instrumentos de percussão. Filho de Manoel Salustiano Soares (1945-2008), o Mestre Salu, Pedro traz a herança da cultura de raiz da Zona da Mata pernambucana. Se chover, seu espetáculo será transferido para a Vila Cultural Usina Cultural.
Dando continuidade à programação, o Teatro Ouro Verde recebe dois grupos a partir de 20h30. O primeiro a subir ao palco é a companhia Divina Dança, de São Paulo, com o espetáculo ''Tempo Escasso''. Baseada na obra ''Nada é Impossível de Mudar'', de Bertolt Brecht (1898-1956), a montagem aborda a desumanização das relações diárias, deixando um fio esperançoso de mudanças futuras.
Na sequência, o público assiste ao espetáculo ''Entre Chagas e Borboletas'', da Cia. Staccato de Dança. A peça lança um olhar íntimo sobre o legado da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954), pinçando de suas obras temas como o elo indissolúvel entre vida e morte e o paradoxo da existência. As soluções coreográficas resultaram em imagens, ao mesmo tempo, silenciosas e impactantes.
A companhia foi criada em 2001 por um grupo de mulheres formadas pela Fundação de Artes de São Caetano do Sul. Em 2006, o grupo transferiu-se para São Paulo e passou a contar com a direção artística de Fernando Machado. Suas montagens apóiam-se na versatilidade e na proposta de trabalhar com coreógrafos inovadores, como Sandro Boreli, Luis Ferron, Ivonice Satie e Mirian Druwe. O grupo destaca-se ainda por suas ações voltadas para a dança-educação e pela democratização do acesso à dança.
Além dos dois espetáculos noturnos, o Teatro Ouro Verde oferece outras atrações ao longo do dia incluindo exposição de fotos, sessão de filmes franceses temáticos e exibição de trabalhos de video-dança. A programação completa pode ser conferida no site www.festivaldedancadelondrina.art.br.


