Diversidade na tela do Cine Com-Tour/UEL
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segunda-feira, 24 de abril de 2006
Reportagem Local 
Fruto da parceria cultural celebrada entre o Shopping Center Com-Tour e a Casa de Cultura da UEL, o Cine Com-Tour/UEL completa agora em maio seis meses de bem-sucedido funcionamento ininterrupto. E a grade de programação para as próximas semanas já está fechada. Sempre na mesma linha objetiva de proporcionar visibilidade a produções alternativas que não teriam acesso a outros espaços da cidade, o novo espaço definiu os títulos que serão exibidos após o filme atualmente em cartaz, Eros, que encerra carreira na próxima quinta-feira.
A partir de sexta é a vez de Paradise Now, polêmica co-produção franco-alemã-israelense-holandesa de 2005 que concorreu recentemente ao Oscar de filme de língua não inglesa. Dirigido e roteirizado por Hany Abu-Assad, o filme narra as últimas 24 horas na vida de dois palestinos amigos de infância que se tornam homens-bomba e são recrutados para missão suicida em Tel-Aviv. As coisas, porém, não acontecem exatamente como planejado nesta história que não demoniza os personagens, mas os coloca como conflitantes seres humanos às voltas com decisões extremadas.
De 12 a 18 de maio, o americano independente Mistérios da Carne, de 2004, também transita por território tão polêmico quanto atual: o abuso sexual de crianças. Com direção e roteiro de Gregg Araki, nome cult do cinema transgressivo dos anos 1990, Mysterious Skin entrecruza a vida de dois rapazes de 18 anos que descobrem que certos fatos marcantes de suas infâncias não aconteceram exatamente como pensavam, determinando seus comportamentos atuais.
No dia 19, outro lançamento de 2005. É o projeto humanitário com parte da renda para o Unicef Crianças Invisíveis. O longa-metragem reúne sete curtas dirigidos por cineastas de vários continentes, inclusive um episódio brasileiro filmado em São Paulo por Kátia Lund, co-diretora de Cidade de Deus. A idéia foi retratar o cotidiano difícil, penoso e triste de crianças apanhadas em adversidades como guerra e pobreza e que, na lida da sobrevivência diária, acabam adiando para sempre o exercício lúdico da infância. Assinam os outros episódios o chinês John Woo, o americano Spike Lee, o bósnio Emir Kusturica, os ingleses Ridley Scott e a filha, Jordan, o africano Mehdi Charef e o italiano Stefano Venoruso. A propósito, foi a partir da Itália que a bela atriz Maria Grazia Cuccinota teve a idéia e assumiu os encargos da produção.
Logo a partir de 2 de junho, entra em exibição a tragicomédia intimista Reis e Rainhas, de 2004, que apresenta um dos novos e talentosos diretores do cinema francês, Arnaud Desplechin. É um movimentado entranhado de eventos, memórias e personagens cujas histórias se relacionam com a morte, a insanidade, a estrutura familiar em crise, o amor e a solidão. Catherine Deneuve é apenas parte de um ótimo elenco.
De 9 a 15, momento de conferir a hora do recreio de Stephen Frears (e também da própria programação), o diretor inglês de Ligações Perigosas e Minha Querida Lavanderia, dois cults indiscutíveis entre outros trabalhos de prestígio. Em Senhora Henderson Apresenta, comédia dramática e biográfica ambientada em Londres durante a Segunda Guerra Mundial, brilha o talento de Judi Dench (candidata ao recente Oscar de melhor atriz) como a empresária esperta que passa a perna nas leis inglesas e promove um espetáculo de teatro de revista com muita nudez no palco, naquele momento um atrevimento para a rígida, dúbia e hipócrita moral vigente no país.
E de 16 a 22 de junho, de novo a França em cartaz, agora com a volta do veterano realizador Claude Chabrol adaptando novela policial de Ruth Rendell, cultuada escritora inglesa especialista em teias ardilosas e no fino traço psicológico de seus personagens. O texto de A Dama de Honra encontrou em Chabrol o porta-voz cinematográfico ideal, com sua habitual e irônica destreza na construção de comportamentos morais ambíguos. Como sempre ocorre com este brilhante sobrevivente da nouvelle vague, ao redor de assassinatos cometidos por alguém cuja identidade o espectador já sabe ao melhor estilo hitchcockiano estão sutilezas que muito enriquecem o argumento.


