Diversidade em foco Coletiva será inaugurada hoje com trabalhos de formandos do curso de especialização em Fotografia da Universidade Estadual de Londrina Alguns dos expositores são fotógrafos, outros são artistas plásticos e outros ainda praticam a fotografia como hobby ReproduçãoPaulo WolgangFOTOGRAFIA Nelson Sato de Londrina Foi-se o tempo em que a fotografia se resumia ao mero registro factual. Hoje em dia, sua principal característica talvez seja o pluralismo de conceitos e formas sem a primazia de uma única tendência estilística. Essa diversidade pode ser conferida, ainda que modestamente, na mostra coletiva que oito formandos do curso de Especialização em Fotografia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) inauguram hoje às 21 horas no Cine-teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Os formandos fazem parte da terceira turma do curso, criado há pouco mais de dois anos como o primeiro do país na área de pós-graduação. Da turma de expositores, a metade já atua como profissional no metiê, outros são artistas plásticos interessados em enriquecer sua linguagem e os demais praticavam a fotografia apenas como um hobby. Na mostra, alguns trabalhos soarão intrigantes para o visitante leigo, que certamente perguntará: ‘‘isso é fotografia ou artes plásticas?’’. É o caso da obra apresentada por Michele Brenzan, na qual a manipulação de diversos materiais apresenta uma colagem colorida em que fotografias de flores são recortadas e mescladas a escritos poéticos e panos bordados – tudo para ‘‘contar a história’’ de uma menina. A abordagem, no entanto, segundo Michele, ‘‘é poética e não descritiva’’. A fotografia entra no processo de criação da artista não como um fim mas como um meio para expandir sua formação plástica. Maria Christina Zorzeto, por sua vez, privilegia a fotografia como linguagem matriz embora o resultado – que sugere um híbrido com a pintura – chegue a confundir o observador. Em sua série, intitulada ‘‘Opus Alquímico’’, ela fotografou objetos em cromo e usou o processo de revelação C41 para provocar alteração nas cores originais. ‘‘Minha intenção era trabalhar com transmutação da matéria’’ – conta. Já Marciene A. Pires lançou mão da cianotipia (uma técnica artesanal de impressão tão antiga quanto a própria fotografia) para trabalhar imagens de índios, clicados na reserva do Apucaraninha e no centro cultural caingangue (localizado próximo à Prefeitura de Londrina). ‘‘Usei uma técnica antiga para dar um efeito artístico a fotos que, sem ela, seriam apenas jornalísticas’’ – observa. Flávia Lúcia Bazan Bespalhok, por sua vez, quis justamente obter imagens de denúncia social com sua série de fotos em preto-e-branco registradas nas favelas da cidade. ‘‘Muitos londrinenses se mobilizam por causa da seca do nordeste ou para os desabrigados da chuva em outra região do país, mas não percebem que aqui mesmo do lado há pessoas atravessando as mesmas dificuldades. Minha idéia foi documentar essa realidade no Jardim União da Vitória e nos assentamentos Santa Fé e João Turquino’’ – explica ela. Uma realidade bem diferente, muito mais amena, foi cliclada por Gilberto Abelha Lisboa durante uma viagem pelo exterior. Do passeio, ele trouxe uma coleção de fotografias, que intitulou ‘‘postais da Europa’’ e da qual selecionou três para a mostra coletiva. ‘‘Procurei utilizar lente grande angular para conseguir efeitos de tridimensionalidade. A idéia era dar profundidade de campo, obter volume e ainda colocar o observador dentro das cenas’’ – conta ele. A mostra coletiva reúne também trabalhos de Cássio Marcelo Castilho Santos, Elizabete Maria Vicente e Marco Antonio Ferreira. Carmem Lúcia Fagundes e Márcio Máximo Santos Agostini, cujos nomes constam do folder de apresentação, não puderam preparar suas séries de fotos a tempo da montagem da exposição. A promoção é da Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL. Aos professores de escolas que queiram levar seus alunos à mostra, uma monitoria estará funcionando no local. Para agendar a visita, o telefone é (43) 322-6844. A exposição prossegue até o dia 9 de abril.

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