DIVERSIDADE CULTURAL - Faces de um Brasil multi-étnico
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terça-feira, 14 de maio de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
O batuque é contagiante e os alunos não se intimidam em dançar ao ritmo do maracatu. Na quadra de esportes do Colégio Aplicação, a manifestação cultural de origem nordestina e com forte raiz africana foi destaque da programação da V Jornada de Humanidades, realizada nos dias 2 e 3 de maio na instituição.
Com o tema "Faces de um Brasil multi-étnico: aspectos da cultura e da história indígena e afro-brasileira", a oportunidade de ampliar o conhecimento e levar mais informações aos alunos que tiveram à disposição 22 oficinas temáticas em parceria com alunos do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), da Universidade Estadual de Londrina. Nos intervalos da programação, apresentações culturais foram realizadas.
O evento também teve como objetivo levar à reflexão dos avanços obtidos com a instituição, há dez anos, da lei 10.639 e da lei 11.645, de 2008, que tornaram obrigatório o ensino da história e das culturas afro-brasileira e indígena. A organização foi da professora Edna Guizelini, da área de sociologia, e da professora Silvia Kryszczun, de filosofia.
Executada pelo grupo londrinense Semente de Angola, a música ritmada e a saia rodada das integrantes chamaram a atenção dos alunos. Os instrumentos de percussão deram o tom e o vocalista aproveitou para informar que a primeira nação de maracatu surgiu em 1808, a Nação Elefante, como forma de disfarçar os trabalhos que aconteciam nos terreiros de candomblé. "Os verdadeiros batuqueiros são de Recife. Nós fazemos parte dos grupos parafolclóricos e só podemos reproduzir os ritmos que eles fazem", explicou um dos integrantes. "Com frequência viajamos para Recife para nos atualizarmos", acrescentou.
Após a apresentação cultural, os alunos puderam participar de diversas oficinas. Entre elas, uma que abordou os movimentos de resistência pela arte tendo como enfoque o muralismo no México e a contracultura no Brasil. "Essas manifestações aconteceram durante os governos ditatoriais do México e do Brasil e preparamos uma oficina que foge um pouco da rotina escolar, já que teremos apresentação de vídeo, música e produção de poesia", comentou Elize Carvalho da Costa, aluna do quarto ano de Ciências Sociais, que aplicou a oficina junto com Ana Paula Perez.
O afrodescendente na cultura brasileira, a influência da língua e cultura africana na música de Clara Nunes e a presença dos negros na mídia fizeram parte dos temas discutidos durante as oficinas.
Na opinião da professora Edna Guizelini, a inclusão do conteúdo da cultura afro-brasileira e indígena ainda está em processo. "Em algumas matérias, como sociologia, história e geografia, a abordagem desse conteúdo já era prevista e, dessa forma, mais fácil de se fazer. Em outras disciplinas, como as de exatas e biológicas, é preciso que o professor aproveite algumas situações para provocar a discussão sobre o assunto e vá adaptando a sua aula a esse conteúdo", avaliou.
Ao abordar pela primeira vez o tema da diversidade racial no evento escolar que é realizado há cinco anos, ela pontuou que a receptividade dos alunos foi positiva. "É a chance que temos de aprofundar alguns assuntos e de uma forma mais descontraída e informal, o que acaba agradando mais e ajudando eles a fixarem melhor as informações", afirmou.
Sobre o preconceito no dia a dia escolar, ela comentou que as manifestações de intolerância racial têm diminuído e o que está se tornando mais comum ultimamente são os conflitos em relação à orientação sexual do alunos. Assunto que pode vir a render tema para outra jornada.
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PALAVRA DE ESTUDANTE: Você acha que esse tipo de evento ajuda a diminuir o preconceito?


