Diversas possibilidades da percepção
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de setembro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Com a proposta de aproximar o espectador das obras de arte por meio dos cinco sentidos, a mostra ''Poética da Percepção - questões da fenomenologia na arte brasileira'' fica em Curitiba até o próximo domingo, no Museu Oscar Niemeyer. A abertura será hoje, às 19h, somente para convidados. A partir de amanhã, a exibição ao público será das 10h às 18h.
A exposição reúne artistas contemporâneos e dos dois séculos passados, cujas obras introduziram ou retomaram o debate sobre a percepção na arte brasileira. A começar por Estevão Silva, que no século XIX expôs seu óleo sobre tela ''Natureza-Morta'' acompanhado das frutas que compunham o quadro, porque assim o espectador poderia apreciar também o aroma da cena retratada. Agora a obra será exposta acompanhada apenas do cheiro das frutas.
Fazendo uma ligação entre o debate artístico a respeito das formas como o espectador percebe a obra de arte e o debate social a respeito da inclusão dos portadores de necessidades especiais, a mostra parte da percepção para lembrar a questão da inclusão. As obras estão acompanhadas de legendas em braile e a disposição espacial permite que o espectador toque os trabalhos. ''Em geral, os portadores de necessidades especiais não são pensados quando se faz uma exposição'', observa o curador Paulo Herkenhoff. ''Exploramos as diversas possibilidades da percepção'', explica.
Para a etapa de Curitiba (a mostra já passou por São Paulo e Rio de Janeiro), foram selecionados mais quatro artistas paranaenses, além de Eliane Prolik, integrante fixa da exposição. São eles: Cléverson Salvaro, Bernadete Amorim, Tony Camargo e Carina Weidle. ''Como não temos possibilidade de todos estarem no circuito, em cada lugar alguns sedem espaço a artistas da terra'', justifica Herkenhoff.
O curador, que atuou no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque entre 1999 e 2002 e na 24 Bienal de São Paulo, entre outros, diz que a arte no Paraná deu um salto nos últimos tempos. ''Tanto em termos conceituais, quanto em realização física e agenda de questões políticas, sociais e estéticas. Além da abertura para os novos meios técnicos e a coragem de ousar e assumir riscos'', avalia. ''Tenho muita vontade de fazer uma exposição de Arte Contemporânea do Paraná'', revela Herkenhoff.
Entre as obras fixas do circuito estão ''Gambiarra'' (1969), de Amélia Toledo, na qual o tilintar de conchas peduradas em um fio de nylon exploram a audição e o tato, ''Bólide Olfático'' (1967), de Hélio Oiticica, que testa o olfato do espectador com um saco cheio de café, e a escultura ''No Mundo Não Há Mais Lugar'' (2001), de Eliane Prolik, cuja interação se dá pelo paladar.
SERVIÇO
- Poética da Percepção - questões da fenomenologia na arte brasileira
Quando - De quarta a domingo, das 10h às 18h
Onde - Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba
Quanto - R$ 4 e R$ 2 (estudantes). Não pagam crianças com até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos agendados de estudantes de escolas públicas, do ensino médio e fundamental
Mais informações - (41) 3350-4400


