ReproduçãoCenas de Las Vegas: baixa temporada não existe por lá. Turistas lotam os hotéis de janeiro a janeiroExtravagante, tentadora, fascinante e perigosa. Las Vegas é tudo isso e muito mais. A cidade que emergiu das areias do deserto do Estado de Nevada, é a que mais cresce nos Estados Unidos. Estima-se que a cada mês, a região receba cerca de 5 mil novos moradores. Baixa temporada de turismo é coisa que não se ouve por lá, em busca de divertimento garantido pessoas de todas as partes do mundo lotam os hotéis de janeiro a janeiro. Encantados com a possibilidade de tornar-se milionários - ou de pelo menos embolsar algum dinheiro extra - os turistas esquecem até mesmo de dormir a partir do momento em que entram no ritmo alucinante dos luxuosos cassinos.
De simples entroncamento ferroviário, a pólo turístico mais agitado dos Estados Unidos a história é longa. Tudo começou em 1855, com a chegada dos mórmons. Em 1905 foi inaugurada a ferrovia ligando Los Angeles, na Califórnia, a Salt Lake City, em Utha. Entretanto, o progresso da pacata cidade ganhou decisivo impulso em 1931, com a legalização do jogo. Mas, isso só foi possível graças a descoberta de nascentes de água na região, pelo explorador John Freemont, em 1829. Foi justamente este fato que atraiu os primeiros colonos.
Segundo a história, o primeiro luminoso em neón já existia em 1931. Era o do Oasis Café, onde hoje está instalado o Golden Nugget Hotel-Cassino. Talvez tenha sido o café a fonte inspiradora da Freemont Street, que ganhou o título de ‘‘a rua mais iluminada do mundo’’. Se você acha que em Las Vegas tudo é exagero, está certo. Claro, não tem o charme francês, nem a aristocracia inglesa. Não tem praias, parques ou lojas para compras dispensáveis. A única coisa que oferece é aventura, diversão 24 horas por dia. E, isso já basta. O que pode ser comprovado verificando a média anual de ocupação dos hotéis de 95%. Aliás, as diárias são extremamente baratas.
Noite longa E não são só os endinherados que lotam estes estabelecimentos. Vizinhos da Califórnia, de Utah e do Arizona, e turistas de todas as classes sociais e procedências querem conhecer Las Vegas. Mesmo que não tenham milhares de dólares para arriscar nas roletas e outros jogos. A maior atração entre os que dispõem de apenas alguns cents são as máquinas caça-níqueis, onde, inclusive, pode-se ganhar muito. Sem dinheiro para arriscar, dá para se divertir apenas observando o movimento das mesas, ou assistindo aos shows com artistas de fama internacional.
Dentro dos cassinos, perde-se completamente a noção do tempo. Lá a ferveção é tão grande que não se sabe se é dia ou noite, a não ser que se consulte um relógio. Fora deles, há alguns cinemas, danceterias, a Universidade de Nevada e campos de golfe, a nova moda da cidade. Tem ainda os shows eróticos. A agitação da noite termina na manhã seguinte, dá uma pausa no almoço e recomeça à tarde. Por volta das 22 horas Las Vegas, que em espanhol significa ‘‘As Várzeas’’, vive o auge da empolgação.
A cidade fatura alto com os impostos do jogo, mas também investe. As escolas e hospitais públicos são os melhores do país. A Comissão de Jogos de Nevada fiscaliza rigorosamente cada dólar movimentado nos cassinos. A legalização do jogo exige estrutura, muita estrutura. É por isso que afirmam que Las Vegas é única, outra igual - sem o terror da máfia que a assombrava há até pouco tempo - não vai existir. Nos 23 Estados americanos onde o jogo é legal, não se pensou em reproduzir outra Las Vegas. A única tentativa, frustrada, de que se tem notícia foi em Atlantic City, um balneário de Nova Jersey.
Shows interativos Um perfeito exemplo da extravagância característica da cidade é o suntuoso hotel-cassino Luxor, com uma esfinge de dez andares e fachada em vidro em forma de pirâmide, com as mesmas dimensões da de Quéops. Apesar de estranho, já tornou-se cartão-postal da cidade. Investindo alto, o hotel contratou o mago dos efeitos especiais de filmes como ‘‘Contatos Imediatos de Terceiro Grau’’ e ‘‘Blade Runner’’, Douglas Trumbull. No espetáculo, programa imperdível e que reúne platéias fascinadas pela fantástica produção, as pessoas têm a impressão de que estão participado, sozinhas, de uma aventura, onde o protagonista tenta encontrar um tesouro. Trata-se um brinquedo gigante, que custou 50 milhões de dólares, sem qualquer similar no mundo.
Mas é o MGM Grand que ostenta a fama de maior do mundo, com mais de 5 mil quartos, oito restaurantes, um centro de convenções com capacidade para 15 mil pessoas, um parque temático de 14 hectares e estacionamento para nove mil carros. Já o requintado cassino do Caesars Palace tem nuvens pintadas no céu que se movimentam e simulam a sensação de se estar em céu aberto.
No entanto, a fábrica de ilusões não é acessível a todos. Quem deseja abrir um cassino em nevada tem de passar por minunciosa investigação. E, ainda, pagar por ela. O interessado tem sua vida particular e profissional analisada detalhadamente. A licença para abrir o estabelecimento está na casa dos 100 mil dólares. A maioria dos cassinos tem o controle de grandes corporações, como a cadeia de hotéis Hilton e a IT & T.

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