Curitiba Primeiro você atravessa uma ponte de madeira. Desce uma longa e bela escadaria até chegar em um bosque fechado. Olhando bem, você vai perceber uma trilha repleta de estruturas azulejadas com desenhos encantadores, que contam a história de dois irmãos que se perderam na floresta. Não se distraia, alguns passos adiante e você vai se deparar com uma Casa Encantada. Cuidado, pois lá dentro tem uma contadora de histórias que pode te levar para um mundo mágico. Dizem que ela é um bruxa. Não, você não está em um conto de fadas, mas se quiser entrar em um, o caminho mais próximo, é o Bosque Alemão, em Curitiba.
Além uma pequena floresta, local preferido das histórias encantadas, o bosque tem Casa da Bruxa e uma bruxa ''de verdade'' que conta histórias para crianças e turistas que visitam o local. Para chegar na casa de madeira, que também funciona como biblioteca, o visitante passa por uma trilha que recupera em forma de versos gravados em azulejos a história de João e Maria, dos Irmãos Grimm. A trilha termina na Casa Encantada, quando a história realmente começa.
É nela que os visitantes encontram desde bruxas, a anfitriã da pequena e aconhegante residência, até duendes e princesas e os mais diversos personagens que habitam histórias. É mais fácil encontrar a dona da casa nos finais de semana, mas como estamos em época de férias, ela dá uma trégua e aparece todos os dias para encantar quem visita seu lar.
O local foi inaugurado em 1996 e desde então oferece essa inusitada programação. A visita aumenta nas férias. Trabalho dobrado para a bruxinha. São dezenas de contadoras de histórias que se revezam no papel. Algumas são auxiliadas por livros, outras preferem encantar apenas com a entonação de voz, com gestos e com pequenos objetos cênicos. É o caso da professora e contadora de história Eloísa Esmanhotto, de 35 anos, que há nove anos faz o papel de bruxa no bosque.
''O que eu mais gosto nessa tarefa é ver a resposta das crianças, vê-las imaginando e acreditando no que eu estou falando'', conta Eloísa. Apaixonada pelos contos clássicos, ela gosta de contá-los caracterizada com a fantasia de bruxa, mas ressalta que isso é mero acessório. ''Com a experiência você vai percebendo que o que vale é a sua entonação, o seu olhar, é você saber o que a platéia está disposta a ouvir'', ensina. Para ela, que conta histórias para adultos e crianças, o público infantil é, sem dúvida, o mais difícil. ''Criança não sabe fingir, se não está gostando da história, se mexe, interrompe, levanta. O adulto é mais comedido e já aprendeu a disfarçar'', conta.
Para evitar distrações e entreter o público alvo da melhor maneira possível, Eloísa conta com um bom repertório e com uma dica valiosa: ''As histórias não podem ter mais que 15 minutos. Mais do que isso, cansa as crianças.'' Mas pais e filhos que quiserem mais do que isso podem aproveitar a visita para ler alguns dos mais de 5 mil livros do acervo da biblioteca da Casa Encantada. O material pode ser utilizado apenas como consulta ou ser emprestado para que a meninada aproveite a leitura em casa. Para ficar completo, o passeio pode incluir o contato com a natureza em um passeio pelo bosque construído em homenagem à colonização alemã.

Serviço:
- O Bosque do Alemão fica na Rua Jardim Schaffer (Bom Retiro), em Curitiba, entre as ruas Francisco Schaffer, Nicolo Paganini e Franz Schubert. O horário de funcionamento da Casa Encantada é de segunda a domingo, das 9 às 17 horas. Nos finais de semana, a contação de histórias acontece em três diferentes horários, pela manhã, às 11 horas e a tarde às 14 e 16 horas. Em janeiro e fevereiro, nos dias de semana, as histórias podem ser agendadas pelo telefone (41) 3338 6835. Hoje, excepcionalmente, a Casa Encantada estará fechada, mas o Bosque Alemão poderá ser visitado normalmente.

mockup