Pouca coisa mais esperta e pouca coisa mais divertida que seu antecessor ''Bater ou Correr'', realizado em 2000, esta sequela, a partir de hoje em circuito nacional (confira a programação de cinema nesta página) associa uma vez mais a auto-zombaria de Owen Wilson às acrobacias de Jackie Chan. A história linear e sem maior interesse nada mais é que um pretexto para que o espectador presencie as múltiplas peripécias dos protagonistas.
Trocando as planícies do Oeste americano pelas ruas barulhentas e encharcadas da Londres do século 19, o filme é construído em cima do contraste de culturas, e em função disso multiplica seu anedotário de paródia. Aqui se encontram personalidades tão diversas quanto o criador de Sherlock Holmes, Conan Doyle, a rainha da Inglarterra, Jack o Estripador, Charles Chaplin e outras abundantes referências cinematográficas, de Buster Keaton a ''O Amanhã Nunca Morre'', passando por ''Star Wars''.
É esta trilha paródica e sem pretensão, aliado à coreografias mais sofisticadas, que distanciam (não muito) este filme do fatigante ''Bater ou Correr''. E a complementação natural entre Wilson e Chan permite que os dois funcionem bem como dupla, ao contrário de outros filmes que utilizam a mesma fórmula, oscilando entre o enervante (Jackie Chan/ Chris Rock em ''A Hora do Rush''), o bizarro (Jackie Chan/Jenifer Love Hewitt, ''O Terno de um Milhão de Dólares'') e o grotesco (Anthony Hopkins/Chris Rock, ''Má Companhia'', e Robert De Niro/Eddie Murphy, ''Showtime'').
Assumindo com naturalidade seu status de comédia de ação inconsequente, ''Bater ou Correr em Londres'' soube se reinventar sem no entanto ceder à grosseria onipresente nas comédias do momento. Diversão primária mas no geral simpática. (CELJ)

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