São Paulo - A ambulante Márcia (Elizabeth Savalla), a periguete Valdirene (Tatá Werneck) e o malvado Félix (Mateus Solano), personagens que conquistaram o público em "Amor à Vida" (Globo), prometem muitas confusões enquanto morarem sob o mesmo teto.
Formando uma nova família, o trio é a promessa de momentos cômicos - e alguns dramáticos - na trama das nove, que caminha para a sua reta final. "É o Walcyr [Carrasco, autor] que sabe de fato onde esses três malucos vão parar. Mas posso dizer que gravar com o Mateus e com a Tatá está sendo incrível", afirma Elizabeth.

A veterana, que já foi mãe de atrizes como Priscila Fantin, Mariana Ximenes e Luana Piovani em outras novelas, reforça que, mais uma vez, criou um carinho por seus colegas de trabalho. "Temos uma relação muito gostosa. E, com essa proximidade, acabo me sentindo mãe mesmo. Tenho quatro filhos na vida real, então, acho que acontece uma relação de afetividade natural com meus colegas", comenta.

A relação dela com Félix também será maternal. Sem saída, o vilão acaba aceitando sua nova realidade e vira o grande parceiro de Márcia na venda de cachorro-quente. Para Mateus Solano, esse é de fato um recomeço para o vilão, que, diferentemente dos folhetins clássicos, teve seu maior segredo revelado e está sendo punido antes do fim da história. "Agora, ele passa a depender de pessoas que tratou com desdém. É uma nova vida", comenta.

Estreante em novelas e elogiada pelo público, Tatá Werneck comemora o fato de poder dividir cena com dois grandes atores. "Esse começo na Globo não podia ser melhor. São pessoas que eu já admirava e com quem, agora, tenho o prazer de conviver", diz.
Para os conflitos entre a família da ambulante e o vilão da trama, Walcyr Carrasco reserva um embate. "Valdirene vai, sim, sentir ciúme de Félix. E vai querer recuperar até o próprio quarto. O Félix vai ter de dormir na sala" , adianta o autor.

Segundo Carrasco, Márcia, que ama a filha, mas nutre afeto por Félix, a quem serviu como ama de leite no passado, ficará dividida diante do conflito que surge entre os dois. "A Márcia gosta de ambos, mas tende a ceder aos pedidos da Valdirene", diz.

Resta saber se o autor vai resgatar uma maldade planejada por Félix contra Márcia e Valdirene. No início da trama, o vilão fez com que o motorista Maciel (Kiko Pissolato) as enganasse, a fim de prejudicar Atílio (Luis Melo), que, na época, era chamado por elas de Gentil. "É preciso acompanhar para saber", despista o autor.

Vilão fortalecido
A menos de dois meses do fim de "Amor à Vida", cujo último capítulo deve ir ao ar em 31 de janeiro, o autor Walcyr Carrasco continua apostando em constantes reviravoltas para fazer com que a trama das nove não perca ritmo e não tenha "barrigas", termo usado nas novelas para os momentos em que nada de importante acontece na história. Por isso, o encontro do membro renegado da família Khoury com a ex-chacrete e sua filha vem trazer novas oportunidades de conflito à novela. "É um folhetim clássico, mas que também investe em comédia. Walcyr é um autor de melodrama, então, tudo acontece em ambientes que têm a família como o centro da história", explica o doutor em teledramaturgia pela USP (Universidade de São Paulo) Claudino Mayer.

Segundo o especialista, a união de Félix, Márcia e Valdirene aconteceu em um momento importante para a trama das nove. "Haverá muitos conflitos a serem desenvolvidos, já que Félix está encarando uma nova realidade, e Valdirene volta à vida simples. Com certeza haverá cenas divertidas, com frases de efeito e bordões. Mas quem sai fortalecido é o vilão que, depois de ser rejeitado pelos parentes, encontra pessoas inusitadas que o aceitaram e que vão ajudá-lo."

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