Diversão em lata
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de junho de 1997
André Bernardo TV Press 
Eles são resistentes à ferrugem, não têm data de validade e podem ser encontrados nas prateleiras das melhores, e também das piores, tevês do mundo. Só no Brasil, os enlatados americanos somam cerca de 20 horas semanais na tevê aberta. Arquivo X, da Record e Os Simpsons, do SBT, são exemplos de seriados idolatrados por uma verdadeira legião de fãs. Juntos, são exportados para quase 200 países.
Dos 16 seriados exibidos atualmente na tevê aberta brasileira, oito são na Record. Para Eduardo Lafon, diretor de programação e operações da emissora, Arquivo X, conferiu prestígio à emissora nos segmentos de público A e B. Com uma média de 6 a 7 pontos de audiência, o horário é um dos mais cobiçados da emissora. Os intervalos do Arquivo X estão sempre lotados e ainda tem anunciante na fila, comemora Lafond, que desembolsa cerca de US$ 12 mil por episódio importado.
Na atual safra de enlatados, o único capaz de fazer frente a Arquivo X é Plantão Médico, que retrata o dia-a-dia do setor de emergência de um hospital público de Chicago. No Brasil, o Plantão Médico está fora do ar. Só deve voltar à telinha no segundo semestre de 97.
Como A Justiceira foi detonado pela gravidez de Malu Mader, a emissora procura um sucessor. Dois já foram encomendados pela alta direção da emissora: um de ação, idealizado pelo próprio Daniel Filho, e outro policial, escrito por Gilberto Braga com título provisório de Alta Rotatividade.
De qualquer forma, A Justiceira deve seguir o destino traçado. O seriado está sendo negociado no exterior. Não é a primeira vez que a Globo investe neste mercado. Nos anos 80, quando o mercado era menos exigente, a emissora exportava seriados feitos em vídeo, como Malu Mulher e Amizade Colorida.
Agora, o mercado só engole produtos em película. Nessa fase, quem primeiro abriu o mercado foi Confissões de Adolescente, inspirado no livro de Maria Mariana e também dirigido por Daniel Filho. Ele já foi vendido para Chile, Portugal e França. Para a França também a Globo já está vendendo os episódios de A Vida Como Ela É, num pacote de 40 episódios de 10 minutos cada, para o Canal Plus.
Para quem não tem condições de investir em seriados tipo exportação, o jeito mesmo é recorrer aos enlatados americanos. O SBT, por exemplo, preferiu exumar dois de uma só vez. Além dos inéditos Maré Alta e Policial do Futuro, reprisa os já consagrados, como Os Simpsons. No entanto, recorrer a seriados já exibidos não é privilégio do SBT. Para Rubens Furtado, diretor geral da Band, Um Amor de Família e Melrose Place não passam de meros tapa-buracos na programação. Prefiro fundar a minha própria produtora e fazer aqui mesmo. Sai mais barato, contabiliza Furtado.
Na mira dos clones - A velha máxima do Chacrinha, Nada se cria, tudo se copia, também vale para os enlatados. Só na atual temporada, Arquivo X já rendeu três produções idênticas à produzida por Chris Carter: The Notorious, Dark Skies e Millennium, todas inéditas na tevê aberta do Brasil.
O recurso da clonagem, porém, não conhece limites e inclui até os velhos seriados produzidos pelo especialista Irwin Allen na década de 60. A produtora New Line comprou os direitos e pretende transformar o seriado Perdidos no Espaço em longa, dirigido por Stephen Hopkins. Os fãs da série torcem o nariz.


