DIVERSAO EDUCATIVA - Brincadeira na escola
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Mie Francine Chiba<BR>Reportagem Local 
Em um canto da sala, a menina arruma as peças de um jogo de blocos de madeira coloridos. Ela dava as orientações ao amigo sobre a ordem que as cores deveriam seguir. ''Estava tudo bagunçado'', diz. Todos os seus amigos já haviam terminado de guardar seus brinquedos e aguardavam sentados a ordem da professora para sair da sala. Zelosa, ela preferiu destinar um pouco mais do seu tempo à organização.
Não é só proporcionar um momento de brincadeira o objetivo das brinquedotecas, implantadas em treze escolas municipais da cidade com educação integral este ano. Esses espaços foram feitos para o aluno entrar em contato com brinquedos educativos e comuns, sempre com a orientação de um educador, como uma atividade complementar à educação em tempo integral. Tudo ali é um aprendizado, desde a hora em que as crianças entram até a hora que elas voltam à sala de aula.
''Além de brincar, elas ajudam na organização do espaço. Com isso, nós trabalhamos a organização, a classificação e a conservação dos brinquedos com os alunos'', explica Daniela Masson, coordenadora de oficinas da Escola Municipal Professor José Gasparini.
Na brinquedoteca da escola, a diversão dos alunos da Educação Infantil e de primeira e segunda séries é garantida. Carrinhos dos mais variados modelos, bonecas de cabelos claros ou escuros, jogos de chá e de jantar e joguinhos fazem parte do acervo. Para muitos, é uma realidade diferente da que veem em casa. Os alunos passam cerca de uma hora na brinquedoteca de uma a duas vezes por semana. ''Já tínhamos uma caixa de brinquedos, mas eles eram velhos, vindos de doações. Fazíamos o Dia do Brinquedo no pátio'', conta a coordenadora.
Entre os alunos do primeiro ano, era visível a empolgação com um brinquedo novo na brinquedoteca. As crianças se aglomeravam e brincavam juntas, ''abastecendo'' seus carrinhos no posto de combustível. ''É a primeira vez que estou brincando com ele. Gostei muito'', declarou o aluno Igor Muniz Vieira, 6 anos.
Além de brinquedos novos cedidos pela Secretaria Municipal de Educação e uma sala reservada só para eles, a brinquedoteca da escola agora conta com ''cantinhos'' que a criança pode escolher à vontade: o baú da leitura, o canto do desenho, o canto da massinha ou o mural de recados para deixar um desenho para o colega de outra sala.
Com a brincadeira livre, a imaginação corre à solta. ''Aqui tem até fantasias, que eles vestem, criando diálogos. Tanto a linguagem quanto a criatividade são estimuladas'', enfatiza a coordenadora Daniela. A supervisora da brinquedoteca, Thaís Cristiane de Britto, diz que deixa a criançada à vontade, e só interfere na brincadeira quando eles pedem. ''Mesmo se a criança pega um jogo de que não sabe a regra, só vou ajudar se ela pedir. Às vezes, elas mesmas acabam criando suas próprias regras.''
Disciplina
Onde guardar cada peça, quantas devem ficar em cada caixa... Tudo contribui para o aprendizado da criança. Quando faltam quinze minutos para ceder o espaço a outra turma, os alunos devem guardar tudo o que tiraram do lugar. Alguns até ajudam os amigos quando já terminaram de guardar a sua parte.
A disciplina com a conservação dos brinquedos que também são usados pelos colegas de outras salas é mais um resultado que se obtém com a brinquedoteca. Sem falar na socialização dos alunos. ''Acho legal poder brincar na escola, junto com os meus amigos'', declara a aluna Débora Cristina Ramos Saturno, 8 anos, da 2 série do CAIC Zumbi dos Palmares, outra instituição que oferece esse espaço aos estudantes. Segundo a professora da oficina de artes da escola, Liz Maria Baú, sempre há as ''panelinhas'' entre os alunos das salas. ''Mas na brinquedoteca, a gente promove a socialização e o respeito mútuo'', completa.
Respeitar a vez
Lá, eles também são levados a compartilhar os brinquedos e a reconhecer quando é a hora de cedê-lo a outro aluno. Ou de brincar junto. Claro, sempre tem uma criança e outra que começa uma pequena confusão. Mas de acordo com Thaís, a supervisora da brinquedoteca do José Gasparini, isso já acontece com menos frequência. ''Eles brincam, repartem o brinquedo, e quando dá o horário, eles mesmo começam a arrumar a sala'', diz, satisfeita.


