Simone Zuccolotto dá a impressão de que realmente nasceu para atuar no jornalismo cultural. Em poucos minutos de conversa com a repórter e apresentadora do programa ‘‘Multishow em Revista’’ fica evidente o envolvimento desta bela carioca de 28 anos com temas ligados a teatro, música e literatura. Simone, de fato, admite que busca a especialização para não fazer feio: ela frequenta, pelo menos, três vezes por semana o teatro, cinema e shows no circuito do Rio de Janeiro. ‘‘Acho fundamental estar totalmente inteirada daquilo que faço. É um princípio básico’’, valoriza a jornalista, que está completando um ano à frente da produção exibida no canal por assinatura da Globosat.
Para 2002, Simone pretende fazer algumas experiências no ‘‘Multishow em Revista’’. Um dos projetos é mostrar os bastidores da turnê de um determinado artista. Simone não descarta a possibilidade de transformar esta idéia num programa próprio mais tarde. A idéia surgiu recentemente, quando viajou para o Sul do país com a cantora Fernanda Abreu. Durante três dias, a repórter ficou ‘‘colada’’ à cantora carioca. ‘‘Eu me surpreendi com muitas situações inusitadas. Por isso, resolvi compartilhar isto com o público’’, explica a jornalista.
Outra mudança no ‘‘Multishow em Revista’’ foi feita de maneira um pouco mais sutil. Aos poucos, Simone foi deixando de utilizar o ‘‘teleprompter’’, aparelho que exibe o texto para o apresentador à frente da câmara. Para dar um tom mais informal ao programa, ela resolveu fazer tudo de improviso. ‘‘É uma maneira mais intimista de falar com o público’’, imagina Simone, que acredita que o tipo de programa que ela apresenta no canal Multishow poderia ser perfeitamente exibido numa emissora aberta. Ela até utiliza como referência o ‘‘Vídeo Show’’, exibido há duas décadas na Globo. ‘‘Eles dão dicas dos mais variados circuitos culturais do país. Mas geralmente de maneira institucional’’, completa Simone.
A possibilidade de trabalhar numa emissora comercial não parece seduzir a jornalista. Pelo menos, por enquanto. ‘‘Acho que ainda não chegou o meu momento’’, avisa Simone. No entanto, ela acha que, no futuro, seria importante para sua carreira atuar numa rede com alcance maior de público. ‘‘Só que acho difícil ter este poder de criação que tenho no Multishow’’, reconhece Simone. Ela também não abre mão de atuar como repórter de qualquer programa que esteja presente. Simone acha que a função de repórter acaba completando a de apresentadora e vice-versa. ‘‘Quem consegue conciliar as duas atividades pode se considerar um profissional de sorte’’.
Quando começou na carreira, há oito anos, Simone pretendia ser apenas apresentadora. Na época, ela era estagiária do canal Telecine, da própria Globosat. Mas, com o passar do tempo, ela foi se apaixonando pela reportagem de rua. Nos seis anos em que trabalhou na TVE, do Rio de Janeiro, Simone fez de tudo: apresentou e fez reportagens em programas como o extinto ‘‘Caderno 2000’’. Ela até chegou a apresentar a produção esportiva do ‘‘Stadium’’. ‘‘Foi uma experiência maravilhosa. Cheguei até a fazer narração dos gols da rodada’’, lembra a jornalista, sem esconder o bom humor com a situação.
Um dos momentos mais marcantes na carreira de Simone Zuccolotto, porém, foi o período de três meses em que comandou o prestigiado ‘‘Metrópolis’’, da Cultura de São Paulo. ‘‘É programa de grande visibilidade no meio artístico’’, enfatiza Simone. Apesar de reconhecer a importância do programa da Cultura, Simone diz que o ‘‘Multishow em Revista’’ busca seus próprios caminhos. ‘‘A nossa intenção é ser uma alternativa’’, finaliza.

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