Elas contracenaram juntas em 1962, no sombrio ''O Que Terá Acontecido a Baby Jane?'', de Robert Aldrich. Aquele gran-guignol que marcou época não seria a mesma coisa sem a força que as personas de Bette Davis e Joan Crawford conferiam aos papéis. Duas irmãs que foram garotas prodígio e agora, numa casa decadente, infernizam a vida uma da outra, numa mirabolante sucessão de revelações que ilustrava o tema favorito do diretor o mundo em perigo e ainda expressava o mal que as pessoas conseguem fazer, aos outros e a si mesmas.
Pouco antes, Bette Davis, uma das grandes estrelas de Hollywood, publicara um anúncio num jornal americano, anunciando que uma atriz vencedora do Oscar, profissional e dedicada, estava precisando de emprego. A grande malvada da tela fora esquecida por Hollywood, mas o sucesso de ''Baby Jane'' iniciou nova etapa para ela. Bette virou estrela de fantasias de horror e o mesmo ocorreu com Joan Crawford. As duas fizeram filmes ruins de doer nessa última fase, mas o carisma permaneceu incólume. E Bette foi maravilhosa em ''Com a Maldade na Alma'', também de Aldrich; Joan foi assustadora em ''Almas Mortas'', de William Castle. Em todos esses filmes, ''Baby Jane'', ''Com a Maldade'' e ''Almas'', elas eram algozes, mas no fim a informação que o público recebia era outra na verdade, tinham sido vítimas da maldade alheia, sempre maior que a delas.
Bette Davis e Joan Crawford ligaram sua grande fase à era de ouro dos estúdios. Bette ganhou seu primeiro Oscar em 1935, por ''Perigosa'', e o segundo por ''Jezebel'', em 1938. Joan ganhou o dela (apenas um) por ''Alma em Suplício'', em 1945. Foram intérpretes de grandes filmes, de grandes diretores. Ninguém se esquece de Bette pedindo aos convidados de sua festa que apertem os cintos porque a noite será turbulenta em ''A Malvada'', nem de Joan anunciando para Sterling Hayden que 'Vienna is closed, Mr. Logan' em Johnny Guitar.

Serviço
- A caixa de Bette Davis traz quatro filmes. ''Vitória Amarga''(1930), ''A Carta'' (1940), ''Vaidosa''(1944) e ''Lágrimas Amargas''(1952). O pacote de Joan Crawford contém ''Possuída''(1931), ''Acordes do Coração''(1946) e ''Os Desgraçados não Choram''(1950). Preço sob consulta.

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