Percebendo a grande quantidade de títulos que não chegavam às telas de cinema tampouco no mercado de vídeo, Átila Szemeridi fundou a Original Vídeo, uma distribuidora exclusiva de filmes nacionais. Os primeiros discos foram lançados em maio, aproveitando o reaquecimento de mercado: os documentários ''L.A.P.A.'', de Cavi Borges, ''Pretérito Perfeito'', de Gustavo Pizzi, e ''Caroneiros'', de Martina Ruup, e a ficção ''Quart4B'', de Marcelo Galvão. No mês seguinte, foi a vez de ''O Quinze'', de Jurandir de Oliveira, ''A Morte Inventada'', de Allan Minas, ''Recife/Sevilha'', de Bebeto Abrantes, e uma seleção de sete curtas-metragens premiados. E, para este mês, está prometido o que pode ser considerado o primeiro grande lançamento da Original: ''O Homem Que Virou Suco'', premiado filme de João Batista de Andrade, rodado em 1980. No mesmo lote, vem ''Do Luto à Luta'', um dos mais sensíveis documentários de Evaldo Mocarzel.
''Percebemos que havia um espaço reduzido nos lançamentos de DVDs para filmes de médio e baixo orçamento'', conta Szemeridi. Ele e o sócio Filipe D'El-Rei descobriram um manancial de opções, especialmente reforçado pela quantidade crescente de documentários brasileiros que não encontram canal de vazão. E, tão logo a notícia se espalhou, a dupla passou a receber inúmeros filmes para avaliação. ''Assisto a pelo menos um por noite'', diz Szemeridi. ''Nossa opção é pela diversidade, pois estamos cansados da grande quantidade de filmes que trazem apenas cenas de carros trombando'', diz ele.
E, a julgar pelos primeiros resultados, também o mercado busca tal variedade. Segundo Szemeridi, o primeiro pacote, lançado em maio, vendeu mais que o esperado pela dupla, que tinha expectativas conservadoras. No mês seguinte, os pedidos aumentaram 30%. ''Há, de fato, um público ávido por filmes nacionais.''
Com um calendário de lançamentos preparado até maio de 2010, a um ritmo de dois a quatro novos títulos por mês, os diretores da Original querem divulgar também o trabalho de cineastas brasileiros que trabalham no exterior. ''Temos contatos de diretores que vivem nos Estados Unidos e até na Tailândia e que estão filmando, o que nos interessa'', comenta Szemeridi, que busca evitar a canibalização, ou seja, um lançamento ofuscar os demais.
Os filmes da Original alimentam todo o mercado nacional, embora em alguns Estados a pirataria represente um grave problema. ''Em Alagoas, por exemplo, a quantidade de títulos piratas chega a ser superior à dos oficiais.'' A dupla também acompanha o desenvolvimento tecnológico, preparando lançamentos também em Blue Ray, formato que oferece muito mais nitidez em som e imagem, mas ainda caro para o consumidor médio.
Entre as pérolas previstas para os próximos meses, está ''A Hora da Estrela'', longa dirigido por Suzana Amaral, inspirado no último livro escrito por Clarice Lispector. ''A cópia foi restaurada, o que garante a qualidade de imagem'', conta Szemeridi, que reconhece uma falta em seus produtos: a ausência de extras, ingrediente básico que distingue o lançamento de um DVD. ''Por enquanto, não temos condições de preparar algo especial, mas está em nossos planos.''

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