Disputa acirrada entre os coadjuvantes
Disputa acirrada entre os coadjuvantes
Dois veteranos quase esquecidos, um comediante fazendo papel sério, um ator iniciante e o dono de uma das performances mais respeitadas da indústria atual. Assim está dividida a categoria de melhor ator coadjuvante do Oscar de 1998, que vai ter a concorrência de Burt Reynolds, Robert Foster, Robin Williams, Greg Kinnear e Anthony Hopkins.
Reynolds, que levou o Globo de Ouro por sua atuação como o diretor de filmes pornográficos em Boogie Nights, conseguiu recuperar o prestígio que ganhou nos anos 70, com filmes como Amargo Pesadelo e Agarre-Me Se Puderes, e que perdeu com Uma Família Muito Louca e Um Tira e Meio. Depois do fiasco de Striptease, o ator relutou em aceitar o papel de Boogie Nights, que foi dirigido pelo estreante Paul Thomas Anderson, de 27 anos.
Ele só se convenceu da qualidade da produção depois que ela recebeu críticas favoráveis nos Estados Unidos, em outubro. Embora ele insista que nunca foi a lugar nenhum, o sabor de volta ao cinema é inevitável com sua atuação competente na história ambientada nos anos 70. Em Boogie Nights, Reynolds brilha no meio de uma produção que se destaca mais pelo seu conjunto do que por atuações isoladas, o que pode ser um ponto contra sua vitória. Ainda assim, o filme já serviu para dar novo impulso para a carreira do ator.
Do esquecimento, também aparece Robert Foster, ressuscitado por Quentin Tarantino, em Jackie Brown, em uma tentativa de repetir o fenômeno de John Travolta em Pulp Fiction. Infelizmente, nem o papel era tão rico e nem a trama do filme se igualam à do filme que hypou a carreira do diretor. O ator, que passou boa parte de sua carreira bancando o detetive em filmes de baixo orçamento, apareceu em O Pecado de Todos Nós, filme que John Huston dirigiu em 1967. Seu papel como um emissor de fianças no filme de Tarantino marca a entrada de uma nova fase da carreira, mas é bem difícil que ele acabe levando o Oscar para a casa.
Outro concorrente é Robin Williams, que convocou novamente a barba para viver um papel sério. Ele aparece como um psicólogo problemático em Gênio Indomável, de Gus Van Sant, onde mostra uma atuação contida, mas marcante. Suas tentativas passadas com personagens densos agradaram a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: ele já concorreu em 1987, por Bom Dia, Vietnã!, em 1989, por Sociedade dos Poetas Mortos, e em 1991, por O Pescador de Ilusões.
Greg Kinnear é um ex-apresentador de televisão que estreou no cinema com o remake de Sabrina, ao lado de Harrison Ford. Para um novato, sua atuação como o vizinho gay que é destratado por Jack Nicholson em Melhor é Impossível tem muita qualidade. Ele consegue chegar bem perto do padrão do trabalho de Helen Hunt e Jack Nicholson e já emplacou em Hollywood. No momento está filmando You Have Mail, ao lado de Tom Hanks e Meg Ryan. A probabilidade de um personagem gay de uma comédia levar o Oscar, no entanto, é pequena.
Por fim, há o inglês Anthony Hopkins, que por muito tempo ainda vai ficar associado a seu papel de Hannibal Lecter, que lhe rendeu um Oscar por O Silêncio dos Inocentes. Desta vez ele concorre por sua ótima interpretação do ex-presidente norte-americano John Quincy Adams, no drama de época de Steven Spielberg, Amistad. Hopkins, que em breve vai estar em The Mask of Zorro, apresenta no filme a atuação que alinhava toda a trama do filme. Por seu prestígio e pela capacidade de fazer uma interpretação facial marcante mesmo usando uma máscara, ele é o favorito de sua categoria.
(G.B.)





