Nem só de projetos de preservação de espécies vive o Refúgio Ecológico Caiman. Por sinal, esse é somente um dos aspectos que caracterizam a área localizada no município de Miranda (236 quilômetros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul), já dentro do Pantanal.
Com uma área de eventos recém inaugurada para atender um público de até 60 pessoas, a reserva tem como ponto forte o turismo ecológico. Nada que lembre os passeios regados a adrenalina: aqui, o que vale é a contemplação das belas paisagens e das inúmeras espécies animais, símbolo da região.
No passeio oferecido a 12 jornalistas e fotógrafos de todo o Brasil, a Caiman possibilitou uma espécie de descoberta do modo de vida do pantaneiro, em meio a cenários de descrição difícil, como os belos e coloridos nascer e pôr-do-sol pantaneiros. Espalhadas pela área em estruturas diferenciadas entre si, mas que primam pela combinação rusticidade/conforto, as quatro pousadas que formam o Refúgio comportam ao todo 70 hóspedes. A esses, pelo jeito, a palavra de ordem é disposição: disposição para enfrentar o calor que facilmente passa dos 40 graus, os insetos que não temem as loções repelentes e, acima de tudo, para o longo dia de tarefas que tem início já na madrugada, junto aos guias conhecidos como ''caimaners''.
Os principais passeios são compostos pela caminhada em mata fechada e a cavalgada por áreas de pântano. Destacam-se ainda os passeios em canoas canadenses por águas calmas das baías locais, bem como os feitos nos ''zebrões'', veículos abertos que se assemelham aos usados nos safáris africanos.
o Refúgio Ecológico Caiman (MS) não poderia deixar de fora a observação do chamado jacaré do Pantanal, réptil de 2,5 metros de comprimento que existe hoje em pelo menos 15 milhões de indivíduos no território pantaneiro a maior concentração em todo o mundo. Na atividade conhecida como ''Fufu'' (termo que o pantaneiro usa para o pulmão de um animal), o turista acompanha a alimentação dos jacarés. O bicho, surdo, cego e sem olfato, em pouco lembra a ferocidade dos crocodilos, espécie inexistente no Brasil. A orientação deles se dá pela vibração.
Em julho foi inaugurado o Centro de Interpretação Ambiental. Espécie de museu com recursos fotográficos e audiovisuais das espécies animais da região, o local conta com painéis que traçam um histórico do Pantanal e do Brasil.
Segundo o presidente do Refúgio e da organização não-governamental (ONG) S.O.S. Mata Atlântica, empresário Roberto Klabin, 49, a meta a médio e longo prazos é não só fomentar a pesquisa já feita hoje em dois projetos e por uma equipe da Universidade de São Paulo (USP) na Caiman, como atrair cada vez mais um público especializado para conhecer a área. Ele não faz o controle de espécies animais no Refúgio, mas defende o de pessoas que chegam ao local. ''Senão, a invasão de costumes pode gerar um desequilíbrio'', justifica. De acordo com Klabin, o público visitante hoje é bem dividido entre gente de fora e do Brasil, diferentemente de 1987 (ano de criação), quando pelo menos 80% era composto por gringos. (J.G.)

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