DISNEY RECRIA O REI DAS SELVAS
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
Ainda não é desta vez que a Disney conseguirá repetir o fenômeno O Rei Leão. Feita a ressalva, não faltam atrativos a Tarzan, que estreou ontem em circuito nacional (confira programação de cinema na página 4). O maior deles está no próprio personagem. Tarzan, criado pelo escritor Edgar Rice Burroughs, é um dos heróis multimídia do século. Nasceu em revista, virou romance, quadrinhos, filmes, séries de TV. Só no cinema foram 47 adaptações, o que faz de Tarzan o segundo personagem mais filmado por Hollywood, depois do Conde Drácula.
O filme da Disney, dirigido por Kevin Lima e Chris Buck, realiza um sonho do próprio Burroughs, que queria ver seu personagem transformado em desenho na tela. É um prodígio de técnica, com a garantia da qualidade Disney. Desde que o computador irrompeu na animação, já não surpreendem mais os jogos de perspectivas nos desenhos. Mesmo assim, Tarzan surpreende. O herói parece surfar entre galhos de árvores, voando entre cipós com uma velocidade que é capaz de deixar o espectador tonto. Talvez seja a essência: um Tarzan que surfa nos ares para atrair o garotinho do ano 2000.
Depois de uma heroína feminista (Mulan), um herói para os machinhos. Mas, assim como Mulan temperava seu discurso feminista com uma heroína que, afinal, se rendia ao casamento, Tarzan, visando ao garoto, não deixa de fazer concessões à menina ao mostrar o velho romance - me Tarzan, you Jane. É um filme simpático, com imagens da selva que evocam os desenhos de Burne Hogarth, um dos melhores ilustradores da saga do herói de Burroughs. Inscreve-se numa vertente ecológica e trata, mais uma vez, do grande tema dos desenhos da Disney nos últimos anos. Praticamente, desde A Bela e a Fera, todos tratam do direito à diferença. A Disney pratica uma política de tolerância.
Tarzan é adotado por Kala, que vê nele um substituto para o filhote morto. Algumas das cenas mais bonitas são as que mostram a macaca brincando com seu bebê humano. O próprio Kerchak, o líder dos gorilas, termina reconhecendo Tarzan como um dos seus. Como sempre nos desenhos da Disney, boa parte do encanto está nos personagens secundários. O elefante Tantor e a gorila Terk respondem por algumas das cenas mais divertidas. A trilha de Phil Collins é boa, com canções que despontam para o Oscar.Tarzan está em cartaz no Brasil, no desenho da Disney herói parece surfar entre as árvores
DivulgaçãoCena de Tarzan: herói voa entre os cipós numa velocidade impressionante que deve agradar aos garotinhos do ano 2000





