Com nuances surrealistas e mergulhos psicanalíticos, o espetáculo ''Disney Killer'' traz à tona a luta pela sobrevivência e os mais diferentes tipos de medo que carregamos. Adaptado do texto do dramaturgo e cineasta inglês Philip Ridley, a montagem é realizada pela primeira vez no Brasil com tradução e direção de Darson Ribeiro - ator natural de Cornélio Procópio (PR) e radicado em São Paulo. As apresentações acontecem de hoje a quinta-feira, às 20 horas, no Teatro Vila Rica.
Em um cenário caótico e desolador, dois gêmeos de 30 anos - abandonados pelos pais desde os seis anos - sobrevivem comendo chocolates e alimentos que encontram deixados na porta de sua casa, de tradicional estilo inglês. Tijolos mofados, ambiente úmido, sujo e infestado de insetos reforçam o horror do local que preserva a vida desses dois seres que vivem movidos por um choque psicológico onde o medo perpassa contantemente as suas vidas até que abrigam um desconhecido que acaba por personificar suas fobias mais íntimas, em uma atmosfera de horror e tortura psicológica.
Seguindo com fidelidade o texto de Ridley, uma das cenas traz o personagem Presley Stray (Darson Ribeiro) sendo obrigado por Cosmo Disney (Dan Nakagawa) a comer uma barata viva. ''Essa cena é o ápice do espetáculo, quase um ato sexual, e procurei fazê-la com o máximo de fidelidade ao texto o que, aliás, foi elogiada pelo próprio autor do texto, que deverá vir no segundo semestre para nos assistir'', adianta Ribeiro. A barata, no caso, é criada no Laboratório Butantã, em São Paulo, alimentada apenas de maçã e pêra. ''O texto segue uma linha de realismo fantástico e achei fundamental respeitá-la'', acrescenta. O elenco ainda traz os atores Juliana Calderon (a gêmea Haley Stray) e Alexandre Tigano (o capanga Pitchfork Cavalier).
Em um clima nauseante e que deve mexer com os sentidos do espectador, Ribeiro ressalta que o mote da montagem é o medo e o quanto ele pode nos impedir de viver: ''O medo é a pior coisa que pode existir porque em função dele podemos deixar de viver, de nos apaixonar. Outro aspecto relevante abordado é a decadência da família, da sociedade, e a falta de respeito às fases da infância, temas muito atuais'', cita.
Em quase dez anos batalhando pela concretização do espetáculo, que estreou no Sesc São Paulo, em setembro, do ano passado, Ribeiro comenta sobre as dificuldades que enfrentou para conseguir patrocínio devido à temática da peça. ''Acredito na arte pela arte e vou atrás daquilo que avalio que a sociedade está precisando ouvir, mas tudo é muito difícil'', desabafa.
A trilha foi especialmente composta para a produção brasileira pelo músico Dráuzio, da Banda GoodChild, de Curitiba. A cenografia é do argentino Claudio Hanczyc, do Teatro Colón, e os figurinos são assinados por Cássio Brasil.
O autor do texto, o inglês Philip Ridley, é um artista que transita nas mais variadas expressões, passando pela literatura infantil, artes plásticas, música, além de ter sido premiado por trabalhos no teatro e no cinema. Seus filmes propõem ao espectador uma discussão sobre o mundo e o ser humano dos dias atuais. Longas como ''The Krays'' e ''The Reflecting Skin'' foram sucesso de bilheteria em todo o mundo, tendo no elenco atores como Viggo Mortensen e Ashley Judd.

Serviço:
- Disneu Killer, de Darson Ribeiro (São Paulo/SP)
Quando - De hoje a quinta-feira, às 20h
Onde - Teatro Vila Rica (R. Piauí, 211)
Duração - 1h40min
Classificação etária - 16 anos

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