É comum dizer no futebol que em time que está ganhando não se mexe. E a Disney, que tem habilidade incomum em envernizar histórias ordinárias, transformando-as em filmes extraordinários, segue a máxima do esporte bretão em ''O Aprendiz de Feiticeiro'', em cartaz a partir de hoje nas salas nacionais. O longa de aventura e magia com uma pitada de humor coleciona clichês mas ainda assim deve agradar, especialmente quem não gosta de arriscar muito para ver um blockbuster.
''O Aprendiz de Feiticeiro'' começa há muitos anos, com a história de três feiticeiros, todos seguidores do famoso mago Merlin. Balthazar (Nicolas Cage), Veronica (Monica Bellucci) e Maxim Horvath (Alfred Molina) tornam-se poderosos a ponto de enfrentarem a inimiga mortal de Merlin, Morgana le Fay (Alice Krige). Só que Horvath trai o grupo e o único que consegue sair ileso da batalha fatal é Balthazar.
Já nos tempos atuais, Balthazar torna-se uma espécie de zelador de um museu de artefatos fantásticos, um disfarce que usa para monitorar Manhattan da possível aparição de seu arqui-inimigo, Horvath. Balthazar encontra então um jovem atrapalhado, Dave Stutler (Jay Baruchel), que tem o potencial de ser um novo Merlin e salvar o mundo. E, claro, o garoto precisa ser treinado para não fazer coisas erradas com seus novos poderes.
Como dá pra notar, o roteiro passa longe de ser original, já que repete as fórmulas de sucesso de outras histórias do gênero e se assemelha particularmente aos quadrinhos ''Livros da Magia'', de Neil Gaiman.
A direção de Jon Turtletaub, experiente em filmes da Disney e que já trabalhou ao lado de Nicolas Cage em ''A Lenda do Tesouro Perdido'', é correta, mantém o ritmo adequado e dosa bem a ação com a comédia, o que deve agradar bastante o público jovem. Se Cage e Alfred Molina não repetem seus momentos mais brilhantes, Stutler, que já vinha aparecendo bem em papéis semelhantes, a exemplo de ''Trovão Tropical'', foi uma escolha acertada para viver o atrapalhado e carismático aprendiz de feiticeiro.
Mesmo cheio de convincentes efeitos especiais, ''Aprendiz de Feiticeiro'', orçado em US$ 150 milhões, não teve uma boa recepção nos Estados Unidos, onde arrecadou até agora cerca de US$ 60 milhões. É verdade que o longa da Disney tem a infelicidade de concorrer com o já cultuado ''A Origem''. Contudo, para quem buscava criar um novo épico jovem, essas cifras e a avalanche de clichês não dão conta do recado.

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