Renata Castro Barbosa e Luciana Fregolente querem fugir de padrões e estereótipos. Com o discurso afinado, a dupla mostra sintonia ao dar forma televisiva para "Alucinadas", projeto em que se dedicam há quatro anos. Amigas de longa data, Renata e Luciana chegam a confundir. Apesar de completamente diferentes na forma física e comportamental, as atrizes ficam muito parecidas quando começam a detalhar o projeto que as uniu no teatro em 2010. O motivo, segundo elas, é a histeria que antecede o lançamento da série, na quarta-feira, dia 5 de novembro.
"A gente tem esse problema. Falamos junto sem combinar. Por isso é que ficamos tão ansiosas perto dessa estreia. 'Alucinadas' é a gente em estado bruto", define Luciana. A série, uma coprodução do Multishow com a Midgal Filmes, tem 13 episódios e gira em torno de personagens femininos, no formato de esquetes de humor.
Fundamentalmente autoral, o projeto de Renata e Luciana teve tempo para ser feito exatamente da forma como elas queriam. Em 2008, impulsionadas pelo desejo de atuar juntas no teatro, as duas pediram para ver textos de amigos roteiristas. "Fomos atrás de quem a gente confiava. Fábio Porchat, Bruno Mazzeo e outros. Pedimos para ver, escrevemos alguns e chegamos em um final de 12 textos", relembra Renata. Daí, nasceu a peça homônima, que também foi "levantada" com o suor delas e de quem incentivava a ideia. "Sem patrocínio, tiramos dinheiro do bolso. E chamamos nossa galera para 'bombar'", conta Luciana, que fez a música de abertura da peça, que será usada na tevê, ao lado do marido, o cantor Leoni.
Quando "Alucinadas" entrou em cartaz, em 2010, Christian Machado, gerente artístico do Multishow, fez o convite para adaptá-la para a tevê. "Tínhamos outros projetos e ficava difícil encaixar isso. Só agora deu para gravar", explica Luciana.
Gravada entre março e abril deste ano, a primeira temporada de "Alucinadas" já está finalizada. Só mesmo assim para elas não mudarem os roteiros das esquetes. Por ser uma produção "autoral e familiar", como definem, o improviso foi um grande aliado durante os 28 dias de gravação, em uma casa no Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro. "Sem exagero, nenhum final de cena que fizemos foi exatamente como foi escrito", entrega Renata, que gargalha ao se lembrar disso.
A série tem quatro quadros fixos, "Jack, Babe e Lola", "E Se...", "Antônio Alice" e "Princesas no Divã" e vários outros que não seguem uma ordem lógica ou vêm através de ganchos. No primeiro, um roqueiro decadente tem uma união "ultramoderna" ao lado de duas "groupies". No segundo, o questionamento é como seria se grandes nomes da história mundial, como Freud, Cristovão Colombo e Jesus, fossem mulheres. Já no terceiro, um casal de personalidades opostas levam todos à loucura. "Com as princesas, é uma brincadeira que veio do teatro. Pegamos estereótipos e levamos para a terapia, com traumas possíveis. Por exemplo, a Chapeuzinho Vermelho é super sexualizada e a Suzy é inimiga mortal da Barbie", conta Renata.
O carinho pelo projeto é tanto que elas fizeram questão de se cercar de amigos e família para, enfim, realizá-lo. Além de Leoni, marido de Luciana, outras partes integrantes da "grande família", como as duas definem, também vão participar. Bruno Mazzeo, ex-marido de Renata, e Léo Jaime, padrinho do filho de Luciana, se juntam aos amigos Paulo Miklos, Eduardo Galvão e Fernando Caruso nas participações especiais de "Alucinadas". No elenco fixo, ao lado de nomes como Augusto Madeira, Serguei e Tatá Lopes, os filhos da dupla também vão dar o ar da graça. "Meu filho, João Castro Barbosa, e a filha da Lu, Carolina, também têm personagens cativos", diz, Renata, empolgada com os nomes que conseguiram juntar.

SERVIÇO
"Alucinadas" – Estreia dia 5 de novembro, às 22h, no Multishow

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