Discrição quase oriental
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Márcia Basílio TV Press 
Cristie Miyamoto está mostrando que não precisa falar para chamar atenção. Em menos de um mês no ar, a atriz e modelo, que interpreta a Mishiko em A Indomada, ganhou destaque ao interpretar uma japonesa que, como não fala português, se comunica por gestos e expressões. Mishiko é a caracterização da submissão da mulher japonesa, explica Cristie que, pelo sucesso da personagem, recebeu até uma proposta para servir de modelo para a criação de uma boneca de brinquedo.
É a prova de que estou executando um bom trabalho, gaba-se. Em A Indomada, a atriz e modelo faz a japonesa que está casada com o delegado Motinha, papel de José de Abreu. Mishiko apareceu na trama com a volta do delegado, que após cair num buraco aberto pelo prefeito, foi parar no Japão. Cristie conta que foi escolhida para o papel porque, além de falar japonês, conhece bem a cultura do país oriental. Ela não atribui a escolha à sua bela forma física, que a levou a participar de vários concursos de beleza na adolescência - venceu nada menos que 15 deles.
Cristie, no entanto, não é uma japonesa puro-sangue. A mãe da moça é uma espanhola e ela mesma é de Apucarana. Para aprender a língua paterna, e fazer um pé-de-meia, a moça foi morar por sete anos no Japão. Saiu quando tinha 21 anos de idade e voltou para o Brasil no ano passado. Como muitas das moças descendentes de japoneses que vão para o Japão, a atriz foi tentar a vida lá. Não que eu precisasse, avisa.
Na verdade, Cristie foi para o Japão ficar com o irmão, que já estava morando lá. Na época, já era formada em Educação Física e possuía uma academia de ginástica, a Art Sport, em Ponta Grossa, também no Paraná. Por aqui, ela já havia sido locutora na Rádio Educadora de Jacarezinho, também interior do Paraná, lendo orações na programação religiosa da emissora. Foi neste momento, com 16 anos, que descobriu que gostava mesmo de estar no centro das cenas.
Mesmo assim, demorou a estrear como atriz. Sua primeira empreitada na tevê foi pouco antes de fazer Mishiko: ela participou do episódio Mesmo que seja eu, de A Justiceira, em que, além do elenco fixo, atuavam também José Wilker e Elizabeth Savalla. É bom contracenar com feras, avalia. No seriado, ela fazia o papel da amante de Wilker que acabava toda esquartejada pela personagem de Savalla. Segundo ela, as cenas foram fortes e sua personagem acabou com a cabeça em cima da geladeira.
Mas Cristie começou na profissão de atriz mesmo através do cinema. A atriz e modelo participou do curta A Inquebrável, baseado num conto de Vanda Fabian e dirigido por Heloisa Peressi. Foi muito bom porque fiz uma madre que tinha 60 anos de idade, diz Cristie, que está com 29 anos de idade. A atriz conta que foi por causa de uma produção cinematográfica que acabou voltando para o país.
No início do ano passado, quando estava fazendo uma visita ao Brasil, a atriz foi convencida por uma prima, que conhecia Tizuka Yamasaki, a mandar um currículo para a cineasta. Tisuka gostou de Cristie. Além de escalá-la para participar de Gaijin II, filme que ainda está sendo roteirizado, Tizuka a hospedou por sete meses em sua casa e ainda deu uma bolsa de estudos para Cristie no curso de interpretação que estava ministrando. Tudo estava dando certo e achei que era o momento de voltar, acredita Cristie.


