DISCOTECA GARIMPADA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de maio de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Quais são os melhores álbuns de rock de todos os tempos? Numa lista de 300 títulos, quais comporiam uma discoteca básica? Você escolheria um CD do Kid Abelha, por exemplo, ou do Duran Duran?
Bem, amigos, podem começar a meter o pau se quiserem. O fato é que está chegando às livrarias o Guia de Rock em CD, de autoria dos jornalistas cariocas Arthur Dapieve e Luiz H. Romanholli, que incluíram discos dos dois grupos citados acima em sua seleção.
O livro traz 270 CDs comentados e recomendados como essenciais do gênero. Na verdade, o volume não tem nenhuma intenção polêmica. Pelo contrário: a idéia dos autores é fornecer uma bússola para os iniciantes não se perderem diante das prateleiras das lojas ou do bombardeio de informações que a cada hora inventa uma tendência e apresenta uma nova safra de artistas disposta a ocupar a cena.
Este é apenas um guia entre muitos possíveis dizem eles na introdução. Ao todo são relacionados 150 bandas ou intérpretes, que aparecem classificados nas categorias rock-n-roll, trovadores, invasão britânica, reação americana, hard rock, heavy metal, progressivo, eletrônico, punk, pós-punk, new wave, contemporâneo, únicos e rock brasileiro.
O rock brasileiro ganhou um apêndice especial figurando com 30 CDs. Mutantes (Mutantes e A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado), Legião Urbana (Legião Urbana e As Quatro Estações), Gang 90 & As Absurdettes (Essa Tal da Gang 90 & As Absurdettes), Ira! (Vivendo e Não Aprendendo) e o já citado Kid Abelha (Meio Desligado) são alguns dos contemplados na garimpagem.
O Sepultura, com Roots, é o único nome brazuca presente no corpo principal do volume. O motivo, segundo os autores, é o sucesso que a banda conquistou no exterior. Da discoteca selecionada, apenas dez bandas e intérpretes tiveram 5 CDs indicados: Elvis Plesley, Beatles, Jimi Hendrix, Bob Dylan, The Who, Pink Floyd, Led Zepelin, The Rolling Stones, The Clash e Nirvana.
Tentou-se resumir ao essencial o número de CDs indicados. Seria muito fácil e cômodo indicar, por exemplo, todos os discos dos Beatles, numa lavagem de mão a la Pilatos. O critério foi indicar discos que realmente valham o investimento emocional e financeiro justificam. Ao todo, foram reunidos 270 títulos, todos disponíveis em qualquer loja decente do país ou nos sites de compras da Internet.
Ao final de cada tópico, foram inseridos como sugestão nomes de outros artistas que apresentam alguma familiaridade com a obra comentada tipo se você gosta disso, deve gostar daquilo. Assim, depois de indicar o álbum de estréia da banda norte-americana Weezer, aparecem listados Cake, Craker, Husker Du, Nirvana e Royal Trux.
Preocupados em facilitar a vida dos leitores, o que é um mandamento básico em publicações do gênero, os autores pautaram-se por alguns critérios sensatos. Evitaram, por exemplo, recomendar caixas de CDs ou álbuns triplos que, segundo eles, são mais apropriados para os fãs que colecionam tudo do artista ou banda em questão.
Exemplificando com a caixa Crossroads, que reúne várias fases de Eric Clapton, perguntam: Se o leitor está à cata de um bom CD do guitarrista, por que indicar-lhe quatro logo de cara, com os inevitáveis desdobramentos financeiros disso? Outro critério adotado foi tentar escolher discos de linha, isto é, discos integrais tal como foram lançados originalmente e não coletâneas ou antologias.
Nem sempre isso funcionou, como demonstram as indicações de The Definitive Anthology of The Small Faces do The Small Faces, Essential Collection de Marc Bolan & T. Rex e os Greatest Hits de bandas como Queen, Kinks e Procol Harun. O Guia é um fascinante painel da história do rock. Não está, claro, imune a controvérsias.
Em música pop, como em futebol, cada um veste uma camisa e não tem como se safar de preferências e gostos pessoais. Organizado em ordem alfabética, a discoteca garimpada abre com AC/DC (If You Want Blood Youve Got It e Back in Black) e fecha com Ultraje a Rigor (O Mundo Encantado do Ultraje a Rigor).
Guia de Rock em CD faz parte de uma série de bolso da editora Jorge Zahar, que já lançou volumes dedicados ao jazz, MPB e música clássica.


