DISCOS/LANÇAMENTOS
Namorando a Rosa
A violonista e compositora Rosinha de Valença (1941-2004) acaba de ganhar belo tributo por parte de uma grande amiga: Maria Bethânia. Que colocou seu selo, Quitanda, à disposição para junto com Miúcha produzir um disco emocionante. Namorando a Rosa evoca a arte refinada de Rosinha de Valença através de um viés pouco conhecido: a temática rural, interiorana. Bethânia canta em cinco das 13 faixas (como na incisiva Usina de Prata) e convocou ilustres como Chico Buarque, Bebel Gilberto (ambos interpretando a singela Os Grilos São Astros), Hermeto Pascoal (na inédita Mais uma Rosa), Caetano Veloso, Dona Yvone Lara, Martinho da Vila (no suspeito blues Pro Amor de Amsterdam), Alcione (terçando em Interior), entre outros. Rosinha abre o disco tocando Pedacinhos do Céu, em gravação de 76. Namorando a Rosa é sincero, comovente. Profundo. (PPPP) (Antônio Mariano Júnior)
Tom Jobim
Já está nas lojas o primeiro projeto do selo Jobim/Biscoito Fino, criado para preservar e difundir a discografia e preciosidades do maestro soberano Antonio Brasileiro. Trata-se de Antonio Carlos Jobim em Minas Ao Vivo Piano e Voz, cujo caráter é apenas histórico e contemplativo. O registro do recital, ocorrido no dia 15 de março de 1981, no Grande Teatro do Palácio das Artes (BH), tem Tom Jobim cantando alguns de seus clássicos (Desafinado, Chega de Saudade, Corcovado, Águas de Março e por aí vão 18 canções) e, eis o valor documental, narrando fatos envolvendo seus principais parceiros em especial Vinicius de Moraes, que morrera um ano antes. De forma confessional, Tom envolve a platéia com histórias e músicas. O prosador é bom, o tocador excelente, o compositor genial, mas o cantador deixa um pouco a desejar. (PPP) (Antônio Mariano Júnior)
Martnália
É muito bonito ver e ouvir Martnália no palco. Samba no pé, entrega total. Numa tentativa de reproduzir o clima de suas apresentações, a cantora e compositora está lançando o segundo disco, Ao Vivo (Natasha, com distribuição da Universal Music). A filha de Martinho da Vila (só uma referência, não mais um rótulo) chamou amigos como Caetano Veloso, Djavan, Moska, Zélia Duncan e o próprio pai para dar aquele apoio, sabe? Músicas novas (Benditas, uma das melhores) se alinham com clássicos (como o resgate de Nó da Madeira) e o resultado é musicalmente bacana. Porém, o disco não mostra o bom entrosamento que platéia e artistas normalmente precisam estabelecer em projetos ao vivo. Edição malfeita ou público apático? A pergunta poderá ser respondida num DVD que sairá em breve. Uma coisa é certa: Martnália não brinca em serviço. (PPP) (Antônio Mariano Júnior)
Elton John
Elton John não dá ponto sem nó. Poucas semanas antes de lançar seu novo álbum, Peachtree Road (Universal Music), ele tratou de fazer barulho ao sugerir numa cerimônia de entrega de prêmios que Madonna deveria levar um tiro por dublar músicas em shows. Só mesmo um marketing literalmente agressivo para catapultar um conjunto de canções tão ordinário o sucessor do esquecível Songs From The West Coast (de 2002) traz 12 faixas coerentes com toda a produção do cantor a partir de meados dos anos 80, na redundância de arranjos, melodias e letras (assinadas pelo colaborador de sempre, Bernie Taupin) que emulam épocas mais inspiradas. Só que desta vez carecem até mesmo de apelo radiofônico. Peachtree Road é um disco adulto. Demais. (P) (Fábio Galão)
Tony Rich
Tony Rich engordou o porquinho nos anos 90 graças a colaborações de gente como Toni Braxton e Boyz II Men e a um álbum de estréia (Words, de 1995) que ganhou até Grammy. É, portanto, um dos representantes do r&b comportado que habitou os primeiros postos das paradas dos Estados Unidos na década passada ao lado do enfezado gangsta rap. O cantor sumiu após um fracassado segundo disco e retorna com Resurrected (Indie Records). O álbum traz balanços palatáveis, como Free e Traveling Alone, mas acaba cansando devido à longa duração mais de 70 minutos de música e ao excesso de baladas açucaradas. Se a sua praia for a black music inofensiva de Maxwell e do já citado Boyz II Men, pode comprar sem medo. (PP) (Fábio Galão)
Beth Carvalho
Numa espécie de autotributo, Beth Carvalho reuniu parte da chamada nata do samba carioca e gravou A Madrinha do Samba - Ao Vivo Convida (Indie Records), seu novo disco. Novo, vírgula. Aliás, dois pontos: a cantora busca empatia fácil com o público através de Andança, As Rosas não Falam,O que é o que é, Saco de Feijão, só pra citar algumas. Mas a grande senhora do samba contorna o convencionalismo com a ajuda de gente do peso como o veterano Zeca Pagodinho (Ainda é Tempo Pra Ser Feliz) e o jovem e talentoso Hamilton de Holanda (Água de Chuva no Mar) que pedem bênção à madrinha como os demais convidados. Mesmo sendo mais um Ao Vivo, fórmula manjada para alavancar carreiras à beira do ostracismo fonográfico, o disco de Beth Carvalho é garantia de samba de qualidade. E isso já é o suficiente. Ao menos por enquanto. (PPP) (Antônio Mariano Júnior)





