Pixinguinha já é considerado um dos maiores músicos brasileiros sem que se conheça em profundidade todas as suas qualidades. Sim, ele firmou as bases da música brasileira, foi um instrumentista virtuoso e suas composições não são nada mais que clássicos inesquecíveis. Mas houve também o arranjador e maestro Pixinguinha, que alicerçava a inspiração em conhecimento e técnica - o próprio compositor costumava afirmar que música não é só sentimento, mas também conhecimento - e acima de tudo transcrevia, desde os anos 1920, a cultura popular brasileira em suas partituras.
Para quem quer conhecer esse outro lado do mestre, a Série Pixinguinha é um registro mais que recomendado. Os três discos iniciais (''Sinfônico'', ''Sinfônico Popular'' e ''No Cinema'') trazem sambas, valsas, choros, modinhas e outros ritmos com arranjos sofisticados, mas não menos acessíveis, e que mantêm o sotaque bem brasileiro.
Depois de enfrentarem dificuldades na captação de recursos (foram dez anos de pré-produção), o músico Marcelo Viana (neto de Pixinguinha), o maestro Caio Cezar e a produtora Lu Araújo, idealizadores do projeto, conseguiram realizar as gravações em 2007 e 2008, no Rio de Janeiro e Recife. Mas ainda há material para muito mais. O projeto inclui outros sete volumes.
A primeira música de ''Pixinguinha Sinfônico'' (gravado pela Orquestra Petrobras Sinfônica sob a regência de Silvio Barbato, o maestro morto no voo 447 da Air France) já dá uma boa ideia do que vem pela frente: trata-se de nada menos que ''Carinhoso'', na instrumentação original. A partitura orquestral dessa música rendeu a Pixinguinha a contratação como arranjador da RCA Victor em 1929 - oito anos antes de a melodia ganhar os versos de João de Barro.
''Sinfônico Popular'' foi gravado pela Orquestra Sinfônica do Recife, regida por Osman Gioia e com a participação de Carlos Malta e seu quinteto de sopros, Oscar Bolão (bateria) e Itamar Assiere (piano).
E ''Pixinguinha no Cinema'' recupera a trilha sonora do filme ''Sol sobre a lama'', de Alex Viany, um dos marcos do Cinema Novo. Trata-se do primeiro registro em disco da trilha, composta entre 1962 e 1963 e que contou com a participação de Vinicius de Moraes (que escreveu as letras de cinco das dezesseis faixas), em uma parceria até então inédita.
Os três discos chegam ao mercado em tiragem de 3 mil discos e mil caixas de colecionador, e trazem o Pixinguinha por ele mesmo, evidenciando sua versatilidade e a amplitude de seu conhecimento musical. Como bem define o maestro Silvio Barbato (referindo-se ao ''Pixinguinha Sinfônico'', mas em uma afirmação que cabe também aos outros dois discos da série): ''É um alargamento de horizontes que ilumina a arte deste grande brasileiro''.

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