ReproduçãoÉ DemaisMais uma novidade no pagode-romântico. O grupo paulistano É Demais chega ao primeiro CD apostando no sucesso de ‘‘Cena de Cinema’’ (Da Paz/Dudu/Mindo). Se a faixa de abertura traz os clichês da música comercial, ‘‘Firma o Pagode’’ tende mais ao partido-alto carregado na base das palmas – a faixa é uma exceção. ‘‘Não tem Porquê (Good Bye)’’ (Luiz Menino/Lino Izaguirre) revela acento soul, reforçado pelos vocais. A impressão que o grupo passa é a de se localizar exatamente na fronteira entre o pagode comercial com influências pop e o de fundo de quintal. Mas gravações como ‘‘Video Clip’’ (Lino Izaguirre/Luiz Menino) não deixam dúvidas: mesmo hesitando, o É Demais opta pelo mercado. O disco saiu pela Atração Fonográfica e traz ainda um pot-pourri de Luizinho SP, com ‘‘Vem na Ginga’’ e ‘‘Samba aí que Eu Quero Ver’’.



ReproduçãoHarmonia do SambaO Harmonia do Samba optou por estrear em CD mostrando sua percussão reforçada em gravações ao vivo. Ao contrário de outros grupos baianos de samba, O Harmonia traz alguns toques caribenhos, ressaltados pelos teclados. O disco abre com ‘‘Nova Dança’’ (Bimba), com a batida característica do samba de roda de Salvador. Mas não se engane, apesar de algumas novidades, o grupo não se diferencia muito de outros do gênero, como É o Tchan. As letras decepcionam, tornando evidente o apelo comercial. Mesmo apresentando uma perda de repercussão nos últimos meses, o pagode e a axé music ainda são a grande aposta para o Carnaval deste ano. Não será surpresa se o Harmonia do Samba estiver entre os mais tocados – o grupo obedece aos mesmos clichês que garantiram a repercussão dos antecessores. O álbum foi gravado em setembro no Okka Beer, em Salvador, e foi lançado pela Abril Music.

ReproduçãoNilson Chaves‘‘Tempodestino’’ foi gravado ao vivo no Teatro Margarida Schiwazzappa, em Belém, para comemorar os 25 anos de carreira de Nilson Chaves. O álbum, lançado pela gravadora Outros Brasis, traz uma coletânea da obra do cantor/compositor com participações da Orquestra Jovem da Fundação Carlos Gomes e do Coral Carlos Gomes. Mesmo morando no Rio de Janeiro desde 1973, Nilson Chaves ainda retrata o ambiente amazônico, que surge em sua obra com uma série de referências a costumes, frutas, lendas e lugares paraenses. Parceiro de Sebastião Tapajós e Celso Viáfora, Nilson Chaves tem o canto intimista de quem já caiu na estrada se apresentando apenas com violão e voz. Os contatos com a Outros Brasis podem ser feitos pelo telefone (21) 262-6218, ou pelo endereço Rua Alcindo Guanabara, 24, sala 903, Cinelândia, Rio de Janeiro, CEP 20031-130.

ReproduçãoOrquestra da UELA preservação do patrimônio histórico de uma cidade passa obrigatoriamente pelo registro de sua produção cultural. Por isso o lançamento do CD da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina, além de comemorar os 15 anos da Orquestra, contribui para armazenar uma parte dos concertos que a cidade vem presenciando. Vale destacar a opção de privilegiar três autores brasileiros frequentemente esquecidos: Camargo Guarnieri, José Siqueira e Ciro Pereira. Camargo Guarnieri é um dos principais compositores nacionais, com obra vasta e ainda pouco explorada. José Siqueira foi regente, compositor, musicólogo e professor, autor de músicas incidentais, poemas sinfônicos, oratórios, óperas, concertos e suítes. Ciro Pereira é regente, arranjador e compositor. O disco fecha com o espanhol Manuel De Falla e a obra ‘‘El Sombrero de Tres Picos’’.

ReproduçãoTchê MusicAlguns tradicionalistas estão torcendo o nariz para os grupos da tchê music, gênero que tenta reciclar a música gaúcha acrescentando elementos pop. Como o forró, o pagode, o sertanejo e a lambada, o resultado é o mesmo quando a indústria fonográfica descobre um ‘‘novo’’ filão. As arestas são aparadas para que o estilo agrade o maior número de pessoas, provocando uma padronização que empobrece a música em troca de retorno comercial. A tchê music não está livre do processo e a prova é ‘‘Tchê Music – Ao Vivo’’, lançado pela Abril Music. Reunindo nomes como Tchê Garotos, Tchê Guri, Pala Velho, Tchê Barbaridade, e os veteranos Osvaldir e Carlos Magrão, o CD evidencia a suavização em arranjos de teclados e guitarra. A caipira ‘‘Moreninha Linda’’ (Tonico/Priminho/Maninho), por exemplo, ganhou contornos country. Diluída, a tchê music está perdendo o sotaque para ganhar mercado.

ReproduçãoTonho MatériaOutro disco ao vivo que está chegando às prateleiras é ‘‘100% Energia – Ao Vivo’’, de Tonho Matéria. Cantor e compositor, Matéria foi responsável por alguns hits da fase inicial da axé music, divulgando músicas como ‘‘Melô do Tchaco’’ (Neivaldo Sales/Baúla). Misturando samba e axé, o disco traz sucessos como ‘‘Me Abraça, Me Beija’’ (Lazzo/Gileno Félix) e ‘‘Corpo Excitado’’ (Reizinho), e deve vender como água perto do Carnaval. Mas o repertório, pouco profundo, tem prazo de validade curto – enquanto durar a onda pagode-axé, que está dando mostras de fragilidade. Os grupos do gênero devem apostar no Carnaval para manter a evidência, mas a indústria fonográfica já está com o radar voltado para as novas bandas de rock. É provável que axé e pagode entrem na geladeira por algum tempo. ‘‘100% Energia – Ao Vivo’’ foi lançado pela Abril Music.