Discos (Ranulfo Pedreiro)
ReproduçãoCore
Through Chaos and Disharmony, do trio londrinense Core, saiu em 1998, mas anda difícil de ser encontrado. A banda já arrancou elogios de Max Cavallera fazendo uma mistura de heavy metal e hardcore, com velocidade acelerada e peso incomum. Longe de ser um grupo de novatos, o Core mostra uma pegada forte e personalizada na sincronia das guitarras de William Fernandez e Alexandre Bressan. No fundo, a bateria de Waldner Fernandez carrega o caminhão. Os rapazes frequentam há tempos o cenário do rock underground e acumulam passagens por outras bandas. O guitarrista Alexandre Bressan é um veterano com mais de dez anos de estrada. Com um som violento, niilista e apocalíptico, o Core se situa em algum ponto do caminho que liga Sepultura a Ratos de Porão. O disco não abre espaço para covers e as composições mostram maturidade sonora. O contato com o grupo pode ser feito pelo e-mail [email protected].
ReproduçãoChitãozinho & Xororó
Alô é o 24º disco da dupla que está na estrada há 29 anos. Seguindo tendências mercadológicas, Chitãozinho e Xororó estão cada vez mais próximos da música americana. Afastados da música caipira e do country que alimentaram no último disco ambos estão de olho no mercado internacional o álbum foi lançado simultaneamente aqui e nos Estados Unidos. A dupla traz uma versão de Were All Alone (Coração Vazio), gravada ao lado de Reba McEntire, antigo sucesso nas FMs. O decorrer do álbum mostra o quanto a dupla está afastada da música brasileira, rumando para o mais duvidoso pop americano. De nacional só sobrou o idioma. Um dos carros-chefes é Cheia de Charme (Guilherme Arantes), com uma versão dançante. Preocupados com a produção e em ostentar uma sonoridade que indica o sucesso fácil, Chitãozinho e Xororó tropeçam ao se afastar de seu verdadeiro público, que gosta de música sertaneja.
ReproduçãoLuciano Jr. Trio
Esse vai para quem faz curso de dança de salão: o repertório passa do bolero ao samba. Para Ouvir, Dançar e Amar Vol 2, de Luciano Jr. Trio visa os saudosistas dos grandes bailes com um repertório variado, embasado em uma série de pot-pourris. Desde Ouça (Maysa) a Rock and Roll Lullaby (Mann/Weil), o disco busca um romantismo dançante. O principal problema, porém, é que os arranjos são comandados pelos teclados, incluindo cordas, baixo e bateria. O recurso provoca um ambiente artificial, que escorrega em composições como Anos Dourados (Tom Jobim/Chico Buarque). Lançado pela Atração Fonográfica, o disco embarca ainda por canções em espanhol Historia de un Amor (Carlos Almaran), Sabor a Mi (Alvaro Carrillo) e El Reloj (Roberto Cantoral) e italiano Roberta (Naddeo/Lepore) e Amore Scusami (Pallavicini/Mescoli).
ReproduçãoCantores de Ébano
Os discos de Natal já estão se espalhando pelas prateleiras. Feliz Natal, do grupo Os Cantores de Ébano traz o repertório tradicional, com Tocam Sinos (J.Pierpont/Juvenal Fernandes) que apresenta um arranjo de jazz tradicional e Noite Feliz (Franz Gruber/José Francisco Mohr). O grupo possui grande maleabilidade vocal, com boa extensão. O repertório inclui ainda Noite Azul (Orestes Barbosa) e Boas Festas (Papai Noel) (Assis Valente). Mas os arranjos instrumentais deixam a desejar em algumas faixas como Natal das Crianças (Otávio Henrique de Oliveira), onde a tradicional harpa é substituída por sintetizadores. Em Feliz Natal (Newton Soares/Dick Santos), os Cantores de Ébano lembram os grupos de Doo Woop da década de 50. O coro ganha corpo em Noite Feliz, com diversas variações de timbres. Apesar de trazer alguns acertos, Feliz Natal é um disco que dificilmente será lembrado após 25 de dezembro.
ReproduçãoCaravana do Brega
Foi só Reginaldo Rossi finalmente estourar fora do Nordeste para a indústria fonográfica descobrir que música brega dá dinheiro. Já se fala em Movimento Brega Pernambucano e Música Pop Brega. Em a Caravana do Brega, que reúne vários compositores e intérpretes de Pernambuco em 17 faixas, o que se vê é uma influência direta da jovem guarda movimento que revelou Reginaldo Rossi e alguns ritmos latinos. Para quem vê a coisa com bom humor, é uma boa pedida. Mas para quem busca seriedade, é melhor optar por outro estilo e poupar os ouvidos. A Caravana do Brega é um projeto que viaja pelas cidades do Nordeste e abriga nomes como George Luís, Juca Guedes, Almirante do Brega, Rony Lemos e Banda Camelô, entre outros. Algumas faixas são um verdadeiro retrocesso aos primórdios da música pop brasileira, com direito a teclados fanhosos e guitarras soluçantes. O lançamento é da Atração Fonográfica.
ReproduçãoEdilson Moreno
O termo brega surgiu para definir a música decorrente de alguns nomes que frequentaram a periferia da jovem guarda, como Odair José, Peninha e Paulo Sérgio. Na década de 1970, compreendeu cantores como Sidney Magal e Evaldo Braga, sempre associado a cafonice e melodias descartáveis. Essa definição se encaixa no Movimento Pop Brega, que está pegando carona no sucesso alcançado por Reginaldo Rossi fora do Nordeste. A música brega promete ser a próxima onda da indústria do disco e vem para substituir o forró, que não emplacou tanto quanto o pagode e a axé music. Mas, por enquanto, o movimento brega só fez marola. Coisa Boa, de Edilson Moreno, se mostra competente ao seguir a estirpe cafona, mostrando até tiques de Reginaldo Rossi com a faixa Garçonete. O tal brega pode até deslanchar, revelando que o mercado está sujeito a gêneros mais duvidosos do que o pagode e a axé music. O disco saiu pela Atração Fonográfica.





