Bala Bombom & Chocolate
ReproduçãoO pagode está procurando fórmulas que se afastem da monotemática romântica, que saturou o mercado provocando a busca de alternativas. Nesta tendência, surge o primeiro disco do Bala Bombom & Chocolate, formado no Rio de Janeiro. Apesar de trazer pouco romantismo, ainda há clichês em excesso em seu álbum de estréia. O grupo arrisca piadas em ‘‘É o Clone’’ (Lobarra/Luciano Moreira): ‘‘Ela me cloneou, fez um clone de mim/ Não aguentou minha ausência/ Apelou para a ciência, que sonho ruim’’. Embora o instrumental ainda traga teclados demais, no partido alto ‘‘Dedeco’’ (Cláudio Maza/Ary Bispo/Domingos Tajabyskuara/Márcio Maza) aparecem as baixarias do violão de Júlio Teixeira – coisa inédita no pagode moderninho, que prefere a padronização. Mas não é o suficiente. O grupo embarca em faixas açucaradas, como ‘‘Fissuras de um Casal’’ (Carlinhos Alvarenga) – que traz a participação de Milton Guedes na gaita – e ‘‘Quero Ouvir a Tua Voz’’ (Lula Brasil). Parece que o Bala Bombom & Chocolate tenta mostrar um diferencial, mas acaba sucumbindo ao mercado. O disco foi lançado pela Abril Music.



Pedro Lima
ReproduçãoEste disco também não é exatamente um lançamento, mas uma produção independente que saiu no começo do ano e passou meio despercebida. ‘‘Carioca’’, do cantor Pedro Lima, tem produção de André Agra e traz um repertório que reúne de Aldir Blanc e Guinga a Lenine. Lima tem voz grave e entonação descontraída. O carioca do título é refletido nas interpretações. ‘‘Fevereiro’’ (André Agra) é uma espécie de samba-exaltação moderno. O suingue aumenta com ‘‘Manᒒ (Lenine/Sérgio Natureza), boa faixa em que o vozeirão se destaca. Em ‘‘À Deriva’’ (Paulo Bi) surge um samba-blues que flerta com o jazz. Entre as mais conhecidas estão ‘‘Magrelinha’’ (Luiz Melodia), ‘‘Sandra’’ (Gilberto Gil) e ‘‘Choro Perdido’’ (Guinga/Mariana Blanc/Aldir Blanc). O CD traz ainda participação especial de Marcos Leite, do Garganta Profunda, no teclado de ‘‘Bens Comuns’’ (Marcos Leite/Gildes Bezerra). Com bons arranjos, Lima ganha respaldo para mostrar uma extensão vocal segura e timbre particular, ancorado ainda por uma boa seleção de faixas. Os telefones de contato são (0xx21) 556-0470/255-7987.

Milionário & José Rico
ReproduçãoA dupla Milionário & José Rico está comemorando 30 anos de estrada com um disco ao vivo lançado pela Chantecler/Continental East West. Gravado em Marília, em abril, ‘‘Milionário & José Rico Ao Vivo’’ traz um resumo dos grandes sucessos da dupla formada em São Paulo – que posteriormente morou em Londrina – e que alcançou 2 milhões de discos vendidos com a canção rancheira ‘‘Estrada da Vida’’ – última faixa do CD. Há sucessos como ‘‘Jogo do Amor’’ (Waldemar Freitas de Assunção/José Rico), da década de 70, e ‘‘Herói da Velocidade’’, gravado em 1996 em homenagem a Ayrton Senna. A dupla optou por privilegiar a nova geração de cantores sertanejos, inclusive aqueles que estão mais voltados para o mercado, como Zezé Di Camargo, autor de ‘‘Pão de Mel’’. Entre as releituras estão também ‘‘Eu Menti’’ (Rick/Alexandre), gravada por Chitãozinho e Xororó. O disco traz três inéditas: ‘‘Denguinho’’ (Chico Amado/Casimiro), ‘‘Tempestade de Paixão’’ (Rick/Alexandre) e ‘‘Vermelho Leite’’ (Rick/Alexandre).

Cheiro de Amor
ReproduçãoOs estereótipos da axé music são claros. As bandas trazem bons instrumentistas, bom equipamento, fazem shows profissionais e apresentações com qualidade técnica. O problema é que toda a tecnologia e experiência não contornam a padronização desses grupos, que quase não se diferenciam. A preocupação com o mercado impera e a qualidade das composições despenca em consequência das vendagens. É um profissionalismo escravizado pela megaindústria do entretenimento. Esse é o caso da banda Cheiro de Amor, que está lançando ‘‘Cheiro de Festa’’, disco gravado ao vivo pela Universal. O CD é talhado para fazer sucesso – e vai fazer – só que com um repertório tão esquecível quanto passageiro. Nem as versões de ‘‘Pintura Íntima’’ (Leoni/Paula Toler) e ‘‘O Vira’’ (Luli/João Ricardo) – antigos sucessos de Kid Abelha e Secos & Molhados, respectivamente – dão consistência para sobreviver às tempestades que a indústria fonográfica provoca para afogar seus próprios súditos e abrir espaço para outros estilos. Entre os sucessos da banda está ‘‘Ficar com Voc꒒ (João Maurício/Bastola/Tiago Quadros).

Paulo Freire
Reprodução‘‘São Gonçalo’’, disco do violeiro Paulo Freire, não é um lançamento recente, mas merece destaque pela qualidade. Misturando ‘‘causos’’, música instrumental, modas e clássicos da música caipira, Paulo Freire traz um cuidado especial: o de registrar algumas manifestações do Sertão do Urucuia, onde viveu para aprender a viola. Por isso sua afinação é a ‘‘rio abaixo’’ – utilizada no local – e não a tradicional ‘‘cebolão’’. A afinação pouco comum traz um diferencial sonoro. Os arranjos minuciosos não respiram apenas sertão, mas arrastam para o instrumento o confronto com outras realidades, como a do violão de sete cordas de Swami Jr. em ‘‘Ai’’ (Swami Jr.), ou o piano de Benjamin Taubkin e a viola clássica de Fábio Tagliaferri em ‘‘Cais do Corpo’’ (Paulo Freire/Roberto Freire). O álbum traz composições encorpadas como ‘‘Um Socó Só’’ (Paulo Freire) e ‘‘Fogoso’’ (Paulo Freire) – com o acordeom de Toninho Ferragutti. Vale destacar ainda ‘‘Causo do Rio Abaixo’’, narrado por Manoel de Oliveira, o mestre violeiro de Freire. O disco saiu pela Pau Brasil, telefone (0xx11) 870-2777 (www.paubrasil.com).

Gralha Azul
ReproduçãoO disco em comemoração aos 20 anos do grupo Gralha Azul, lançado em 1997, ganhou nova tiragem com mil exemplares. O trabalho é uma compilação da carreira do grupo que surgiu em 1977 com a proposta de abordar temas regionais paranaenses. Com fama de ser melhor ao vivo do que em estúdio, o Gralha Azul traz uma simplicidade que escapa aos interesses comerciais. ‘‘Nossa música ainda não consegue determinar um ritmo específico do Paranᒒ, comenta Paulinho, responsável pela voz e violão. Se os resultados do disco não refletem a performance em palco, o grupo já está tratando de contornar o problema para lançar o álbum ‘‘Pé Vermelho’’ em dezembro. ‘‘O disco vai trazer uma grande mistura de ritmos com temas ligados à nossa realidade’’, comenta. ‘‘Gralha Azul – 20 Anos’’ traz marcha, canção rancheira, ciranda e outros ritmos regionais que não se restringem ao estado, realçados pelos arranjos vocais do grupo. O disco foi lançado pela Digital Studios. O telefone da gravadora é (0xx12) 316-3281.

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