Discos (Ranulfo Pedreiro)
ReproduçãoNatalie Cole
Snowfall in the Sahara é o novo lançamento de Natalie Cole. O CD é uma espécie de homenagem a sonoridades estritamente nova-iorquinas ela trabalhou só com músicos da cidade e, além das baladas e do romantismo, traz algumas pegadas de soul, rythm & blues e até leves pitadas de funk. A cantora acerta em algumas faixas, como Reverend Lee, mas exagera em sentimentalismo quando embarca em canções como A Song for You. A faixa-título é um pop esquecível, desses que são reproduzidos aos borbotões nas rádios. Há espaço para o jazz, com o clássico Every Day I Have the Blues, que também ganhou um arranjo bem característico. Entre as novidades está a versão de Gotta Serve Somebody, de Bob Dylan o autor escreveu um novo verso para este disco. Os arranjos são bem cuidados, a produção é grandiosa. Natalie Cole não arrisca, preferindo continuar no caminho que já lhe rendeu vários prêmios e vendas acima dos 30 milhões de cópias.
ReproduçãoShania Twain
Depois de um grande sucesso, com vendagens altíssimas nos Estados Unidos com um disco predominantemente country, Shania Twain está novamente nas paradas com a balada Youre Still the One. Lançado pela Universal, Come on Over é um CD em que a cantora tenta driblar os rótulos country se aproximando mais da música pop/rock. Parece um disco feito sob encomenda para as rádios comerciais. Todas as músicas foram compostas em parceria com o marido Robert John Mutt Lange, que já trabalhou com Bryan Adams e Def Leppard. Come on Over passa de baladas country para rocks leves e músicas dançantes. Shania Twain está tentando se desvincular do country que a alavancou ao sucesso. Na divulgação, a cantora diz querer fugir de rótulos, mas mergulha em clichês que contribuem para a sensação de flash-back que permanece em todo o disco. Mas a fórmula parece estar funcionando.
ReproduçãoImogen Heap
De formação clássica, a cantora inglesa Imogen Heap chega em CD ao Brasil pela gravadora Trama. Estudiosa de Bach, Heap alcançou a adolescência com influências de Beastie Boys e P.J. Harvey. I Megaphone é seu disco de estréia e traz uma pegada forte em estilos variados. Do noise eletrônico com lembranças depressivas em Getting Scared à influência erudita nos arranjos de piano de Sweet Religion, Imogen Heap trabalha uma mistura ampla de gêneros. Também não faltam esquisitices remotas de uma infância complicada, passada em internatos e solitárias salas de estudos musicais. O resultado pode ser incluído entre as boas vertentes da música pop. Heap apresenta segurança e extensão vocal, mas às vezes as composições refletem excessivamente sua pouca idade. Por outro lado, Imogen Heap apresenta personalidade, um quesito importante e que anda em falta no mercado.
ReproduçãoVarukers
Com 20 anos de carreira, a banda punk Varukers está chegando ao Brasil em CD pelo selo alternativo Pecúlio Records, do baterista Boka, dos Ratos de Porão. Murder foi lançado em 1997 com faixas inéditas durante uma turnê americana. A banda passou pelo Brasil este ano, e há uns dois meses se apresentou em Maringá. Formado por Rat no vocal, Kev na bateria, Biff na guitarra e Kieran no baixo, o Varukers possui uma pegada vigorosa e pesada. O grupo surgiu em 1979 na Inglaterra e já passou por inúmeras formações o único integrante que permanece desde o início é o vocalista Rat. Depois de lançar uma série de discos independentes, a banda acabou em 1985. Até que no início da década de 90 Rat voltou à ativa com um single lançado na Inglaterra. Murder pode ser encomendado pela Pecúlio Discos, Caixa Postal 993 Santos Brasil CEP 11001-970, ou pelo e-mail [email protected].
Reprodução10.000 Maniacs
Este é o segundo disco da banda nova-iorquina com Mary Ramsey nos vocais, substituta da fundadora Natalie Merchant, que saiu da formação. Apesar da diferença de voz que não chega a ser gritante, mas bem perceptível , o som da banda parece voltar ao despojamento que a caracterizava nos anos 80. The Earth Pressed Flat é um lançamento sem grandes pretensões, mas que traz a sonoridade original do 10.000 Maniacs, e reafirma sua tendência de fundir pop com folk music. O CD foi gravado durante uma turnê em lugares diversos. Talvez por isso traga um pouco do clima da estrada, acentuado pela melancolia característica da banda. A volta de John Lombardo, que se afastou do grupo em 1986, talvez tenha alguma influência na sonoridade do lançamento. Mary Ramsey e John Lombardo foram responsáveis por boa parte das letras, enquanto as melodias surgiram em grupo pelo menos é o que dizem os créditos. O CD saiu pela Abril Music.
ReproduçãoAna Salvagni
Este é um trabalho independente da cantora Ana Salvagni, que aparece acompanhada por um time de bons instrumentistas que inclui o violeiro Paulo Freire, Luiz Fiaminghi na rabeca, Lara Ziggiatti no cello, Swammi Jr no violão de sete cordas e o percussionista Dalga Larrondo. Com um repertório de temática caipira, Ana Salvagni tem um timbre que se encaixa nos arranjos e acompanhamentos escolhidos. O resultado é um disco coeso, bem trabalhado. Entre várias faixas de domínio público que incluem cantos de trabalho como Arroz e Rodinha, destaca-se Quer uma Coisa?, de Luiz Tatit, Espinho na Roseira/Drummonda, de André Abujamra, e Morada, de José Gramani e Geraldo Moreno. Ana Salvagni representa um segmento da música brasileira que traz um trabalho sério de pesquisa e tem demonstrado criatividade no resgate de temas populares. O disco pode ser encomendado pelo telefone (0+XX+19) 242-5011, ou pelo e-mail [email protected].





