Discos (Ranulfo Pedreiro)
ReproduçãoLelles e Leonardo
Este é o álbum de estréia dos irmãos Lelles e Leonardo, de Abadia dos Dourados, Minas Gerais. Ambos atuaram em grupos como Banda Pirata e Banda Bizz, até optarem pelo formato de dupla sertaneja. As melodias seguem a linha do sertanejo moderno, bem caracterizado em Solidão, de autoria da dupla. Há também variações rítmicas, com aproximação do country, em Música de Peão, também composta por ambos. Algumas faixas como Mineiro Uai, se desviam um pouco do arranjo pop, caracterizando mais as sonoridades do interior. Três faixas, Macaco Velho, Aonde Tem Amor e Luz da Minha Vida, são de autoria de Pinóchio, o produtor do disco. Lelles e Leonardo, ao contrário da maioria das duplas, fogem dos agudos excessivos que se tornaram moda na década de 80, optando por vocais mais sóbrios. Mas o lançamento - feito pela Atração Fonográfica - não se diferencia de outros do estilo.
ReproduçãoBruno & MarroneA migração das duplas sertanejas para o country está cada vez mais incisiva. Considerados da última geração - embora já estejam na estrada há pelo menos dez anos -, Bruno & Marrone descabaram para o ritmo norte-americano em seu quinto disco. O arranjo de Feriado Nacional, que abre o CD Cilada de Amor, tem um instrumental que podia muito bem ancorar algumas bandas de country-rock da década de 70. A ligação da dupla goiana com o caipira está distante, mesmo na regravação de Tchau Amor, antigo sucesso de Zé Tapera & Teodoro. Até os vocais assumem vícios da música pop. Guitarras, violinos e harmônicas comandam boa parte dos arranjos, embora as baladas continuem transitando pelo brega. Mesmo incursões pelo arrasta-pé, como Olha o Trem Querendo, traz sequelas do country - que só desaparece em algumas faixas, como no bolero Só Sei te Amar. Cilada de Amor saiu pela Abril Music e tem distribuição nacional.
ReproduçãoMaurício & MauriOs irmãos de Chitãozinho e Xororó estão de volta após cinco anos sem gravar apostando na música country em Excesso de Amor. Como a maioria dos últimos lançamentos sertanejos, os arranjos lembram mais a música americana do que o sertão brasileiro. Gato e Sapato, por exemplo, é um country-rock no estilo daqueles que infestam os videoclipes da CMT. É a música sertaneja globalizada, a quilômetros de suas raízes. As guitarras permeiam até os arranjos de Sem Saída, sucesso na voz de Odair José, que abre uma sequência de canções românticas como O Amor Fugiu das Mãos e Entre Dois Corações. O CD encerra com Amor Diet, uma mistura de arrasta-pé com country, e Minha Fé no Amor, balada-country. A dupla se orgulha de sobreviver sem auxílio dos irmãos mais famosos, mas ainda assim seguem-lhes os passos na transição rumo ao mercado exterior. O lançamento saiu pela Universal Music.
ReproduçãoCezar & PaulinhoOs lançamentos sertanejos continuam abocanhando uma boa fatia do mercado. Cada vez mais influenciados pela música country, Cezar e Paulinho chegam ao 15º disco da carreira com Santa Maria do Brasil, lançado pela Chantecler/Continental East West. O CD abre com Tchaca Tchaca na Butchaca, um hit country bem no estilo rodeio - exaltando o trinômio festa, mulher e cachaça. O country/brega segue pela balada Nunca Mais. Em Remelexo, há uma mistura de ritmos com letra pseudosensual que lembra o samba-axé: E vai descendo vai/ Mexendo a cinturinha/ Vai requebrando vai/ Batendo a palminha. Há até influência de samba em Favela. A música caipira só ganha espaço mesmo com Pot-Pourri de Pagode, uma homenagem ao grande violeiro Tião Carreiro, quando a dupla finalmente acerta. Mas, na busca pelo mercado, Cezar & Paulinho preferem atirar para todo lado.





