Discos de vinil em alta
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Se até alguns anos atrás os discos de vinil eram artigo de luxo de poucos colecionadores, saudosistas e apreciadores de música na vitrola, parece que, agora, tornaram-se uma febre. Basta uma zapeada em comunidades de redes sociais e sites da internet para perceber quanto os famosos bolachões estão em alta. Gente de todas as idades procurando por exemplares antigos relançamentos e, até mesmo, novas gravações.
Tanto é verdade que artistas contemporâneos entraram na onda, fortalecendo o disco de vinil como tendência na indústria fonográfica. No Brasil, já são vários - como Tulipa Ruiz, Criolo, Karina Buhr - gravando novos trabalhos nesse formato. O fato é que essa movimentação toda tem favorecido que encontros e festas recheadas de colecionadores aconteçam por toda parte, inclusive em Londrina.
A 1ª Feira de Discos e Antiguidades promovida pela Vila Cultural Kinoarte no último sábado promete ser a primeira de muitas. Isso porque, pela quantidade de pessoas que levantaram logo cedo para garantir principalmente os LPs, é de se esperar que outros encontros como este aconteçam com mais frequência.
"Percebemos uma movimentação grande nas redes sociais de pessoas que estão começando a adquirir vinis, seja para vender ou trocar. Tem uns que gostam pela qualidade do som, outros porque é algo nostálgico. Devido a isso, estamos tentando reunir as cidades-pólo da região para facilitar essa integração. Se tudo der certo, vai virar um evento cultural mensal. No meio disso, colocamos objetos antigos para serem vistos e vendidos", comenta Thiago Moreira, um dos organizadores do evento.
Para a primeira edição da feira, vieram expositores de cidades vizinhas como Maringá. O aposentado Silvio Ramos Nogueira, colecionador de vinis há 40 anos, faz desse hobby, hoje, sua profissão, vendendo discos de época e originais. "Possuo cerca de dois mil LPs, mas tem discos da minha coleção que não vendo de jeito nenhum. O valor de cada um varia muito, desde o estado do disco, tiragem, a época em que foi lançado. Esse disco dos Beatles, por exemplo, é mais caro que outros", diz ele, referindo-se a um disco de R$ 90 da banda inglesa. Segundo ele, se antes pessoas mais velhas que o procuravam, agora são jovens atrás do som "chiado" do vinis mais antigos. "Muitos preferem o som da agulha a um som limpo do CD ou dos novos LPs de 180 gramas."
Robespierre Tesatti, proprietário de um sebo na cidade canção comenta que os mais procurados em seu acervo são os discos de rock. "Esse gênero nunca perde a popularidade." Vendedor de vinis usados, ele conta que, por conta do aumento da procura - facilitada pela internet e redes sociais - está ficando cada vez mais difícil encontrar alguns exemplares. "Edições limitadas de determinados artistas já não estão mais disponíveis no mercado. E, quando estão, são muito caros se em bom estado. A quantidade de pessoas que passou a comprar discos para coleção está cada vez maior. Muitos jovens, mas jovens mesmo, começaram a procurar discos para sua coleção, sobretudo aqueles que gostam de música", pontua.
Concentrado e ávido em encontrar algo diferente, o músico Renan Lourenço estava em polvorosa por ter comprado um disco que procurava há tempos, do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen. "Já havia procurado na internet, mas não achava. Quando vi aqui no meio de outros, nem acreditei. E o melhor: a um preço totalmente acessível", conta o rapaz, que pagou R$ 40 no disco. Junto com a namorada, Karen Lys Ramos, já possui uma coleção de 40 LPs. "Quando nos conhecemos vimos que tínhamos a música em comum e o gosto por vinis acabou surgindo. É um culto ao passado que faz parte da nossa história", diz ela.


