Discos
DISCOS
Ranulfo Pedreiro
Berro
ReproduçãoO CD de estréia da banda carioca Berro traz várias referências ao rock e soul da década de 60 e 70. Teu Passado te Entrega, faixa que abre o disco, tem um bom suingue, que lembra um pouco a discoteca. O disco - lançado pela PolyGram - também traz referências aos poetas beats, como lembra Tony Bellotto no texto de divulgação. Os temas recorrentes - estrada, amor, drogas e liberdade - ganharam arranjos interessantes encabeçados pelos vocais de Rodrigo Big. O rock está presente com o uso de pedais wah-wah e flanger, e o álbum conta com produção de Maurício Barros e Ezequiel Neves, veteranos do pop nacional. Entre os músicos convidados estão Serginho Trombone, que aparece em Teu Passado te Entrega, Namorada Cibernética e Hollywood. Até um teclado Hammond aparece em Descendo a Ladeira, tocado por Maurício Barros. O Berro é formado por Clower nas guitarras e vocais, Daniel Katzenstein nos teclados, Tiba Magalhães na bateria, Rodrigo Big na voz e Lancaster no baixo. Funk Fuckers
ReproduçãoEsta é outra banda que surgiu no rastro do Planet Hemp, com uma proposta visual de baile funk. O CD Bailão Classe A traz inclusive, na contracapa, um Manifesto Funk Universal, onde a banda se diz composta por viajantes dos confins do universo e defende o palavrão como linguagem do cotidiano. Mas o som é mesmo hardcore, misturado com rap e um excesso de vocalises, protagonizadas por três vocalistas, entre eles B. Black, que já fez parte do Planet Hemp. Os temas seguem a mesma linha de crítica social, e vêm carregados de palavrões. O sexo também é lembrado com passagens que lembram É o Tchan: Mexa a periquita no suingue da batida, em Inthahouse; Ô Marieta, libera sua rima, em Marieta. O álbum conta com a participação do Marcelo D2 em Rappers Reais (Skunk JamminII) e 021 (Original Style). Edu K, vocalista da extinta De Falla, assina a produção de quatro faixas, entre elas Inthahouse, Na Pressão e Na Testa. Entre a salada de ritmos há espaço até para o ska. Mas o funk mesmo aparece pouco, quase inexiste. O álbum saiu pela BMG.Raul Seixas
ReproduçãoEste disco causou certa polêmica por resgatar versões engavetadas de várias composições de Raul Seixas. Documento foi produzido por Marco Mazzola, que trabalhou com o compositor e garante que era projeto do próprio Raul gravar um disco em inglês com seus maiores sucessos. Mazzola aproveitou para incluir no álbum algumas versões inéditas em português. As faixas surgiram de fitas gravadas em 1974, e Mazzola misturou a voz e o violão de Raul Seixas com arranjos de Jackson do Pandeiro e Chiquinho do Acordeon. As versões contaram com a participação da banda que acompanhava Raul em 1973, reagrupada pelo produtor. O resultado deve agradar os fãs e traz a inédita Faça, Fuce e Force, a versão original de Check Up, censurada em 1973, e arranjos inéditos de É Fim de Mês, Rockxixe e Se o Rádio não Toca, esta última com Frejat na guitarra. Entre as versões em inglês estão Trem das Sete, SOS e Ouro de Tolo, além de Asa Branca. O álbum foi produzido pela MZA e distribuído pela PolyGram.Virgulóides
ReproduçãoOs Virgulóides continuam apostando na mistura de samba com rock em Só Pra Quem Tem Dinheiro? O tom de malandragem permeia todo o disco, e às vezes soa forçado. Mas o grupo diminuiu as piadinhas e também optou pelo hardcore em algumas faixas, mostrando um amadurecimento em relação aos trabalhos anteriores. É o que ocorre em Juventude Calhorda, a segunda faixa do CD. O pandeiro aparece em Só Para quem tem Dinheiro e, desta vez, não entra em choque com as guitarras. O samba se mistura também com o blues, com arranjos de harmônica, em Se Segura meu Truta. A surpresa vem com Alcoólatra da Fumaça, um partido alto que traz a participação de Bezerra da Silva. A presença de Bezerra é sempre carismática, mas o vocalista Henrique Lima exagera no sotaque de malandro. A mistura de ritmos prevalece em todo o disco, com aproximações do groove em Virgulóides Groove, samba com guitarra e efeitos de talk-box em Pelé no Pé e Eu na Mão e A Tereza Quebrou, em que o samba impera. Só Para Quem Tem Dinheiro? foi lançado pela PolyGram e traz produção de Liminha.Squaws
ReproduçãoA banda Squaws era desconhecida até ser convidada para abrir os dois shows do Oasis no Brasil, em março. O grupo segue o estilo do Planet Hemp, misturando hardcore, rap, funk e rock com letras contundentes, falando de marginalidade e injustiça social. Esses são os temas do álbum de estréia, O Jogo Vai Virar, lançado pela PolyGram. O disco traz também uma série de efeitos especiais elaborados com samplers, percussões e teclados moog. Os arranjos variam desde guitarras com pedais wah-wah e baterias suingadas à pauleira hardcore, tudo entrecortado pelo rap. No repertório, ganha destaque a versão de África Brasil, de Jorge Ben Jor, parecida com a do Skowa e a Máfia, porém mais pesada. Marcelo D2, do Planet Hemp, faz participação especial em Se Eles te Pegam. Nada Pode me Parar, por exemplo, começa com uma batida de rap cercada por efeitos de samplers, e a música ganha tom sombrio com imitações de sinos. O release da PolyGram traz alguns elogios de Igor Cavalera ao grupo.Renato Teixeira
ReproduçãoO cantor e compositor Renato Teixeira está comemorando 30 anos de carreira com o álbum Ao Vivo no Rio - 30 Anos de Romaria. O disco foi lançado pela Kuarup e registra a primeira apresentação do músico no Rio de Janeiro. Misturando MPB com música caipira, Teixeira mantém a simplicidade que norteou sua trajetória, contando com a direção musical do veterano Natan Marques, que também participa do disco tocando violão de 12 cordas. É o contraste do sotaque caipira no Rio de Janeiro que o álbum ressalta, como afirma o próprio compositor no texto da contracapa: Tocar Tião Carreiro na terra de Cartola, Gonzagão na terra em que Chiquinho do Acordeão escolheu para viver, cantar minhas músicas na terra de Noel (...). No repertório, estão Amizade Sincera, Sina de Violeiro, Amora e Romaria, de Renato Teixeira, e clássicos como No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo; De Papo pro Á, de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano; Rio de Lágrimas, de Tião Carreiro, Piraci e Lourival Santos; e Casinha Branca, de Elpídio dos Santos.





