DISCOSRanulfo Pedreiro

Sybill
ReproduçãoSybill é daquelas cantoras americanas que têm influência gospel e um sonoro vozeirão. Mas, na escolha do repertório, não é muito criteriosa. Este ‘‘Greatest Hits’’ traz 19 faixas de vários compositores com características dançantes ou românticas. O estilo de Sybill é mais próximo da década de 80 - ela iniciou a carreira em 1986 - e mesmo usando programação eletrônica em algumas músicas, ainda passa meio longe do techno. É o que acontece em ‘‘When I’m Good and Ready’’, que abre o álbum. Já ‘‘The Love I Lost’’ é um estilo romântico bem americano, uma balada que inicia com piano e culmina com um coro no refrão, enquanto Sybill aproveita para improvisar alguns solos. ‘‘Don’t Make me Over’’ também é bem dançante e traz programação eletrônica com vários arranjos vocais, somados a uma percussão. A música não é tão rápida quanto o dance atual e traz ainda arranjos orquestrais que lembram um pouco a era Disco. ‘‘Greatest Hits’’ é distribuído pela Roadrunner.Vanessa Mae
ReproduçãoA violinista Vanessa Mae confessa, no álbum ‘‘Storm’’, lançado pela EMI, a duplicidade que permeia sua carreira. Acostumada a gravar eruditos, ela mergulha, no álbum, numa mescla sonora que abrange desde um techno carregado a experiências sonoras que trazem ecos da New Age. Gravado nos estúdios Abbey Road, ‘‘Storm’’ traz contraposições, como transformar o ‘‘Prelúdio em Mi Maior’’, de Bach - que a instrumentista havia gravado anteriormente - em referência para ‘‘Bach Street Prelude’’. Vanessa Mae explica no texto do encarte que optou por uma performance diferenciada, de acordo com ‘‘seu jeito’’. No texto, ela confessa também que ‘‘Storm’’ é um disco com preponderância pop. Além dos violinos, Mae aparece com uma voz para lá de soprano em ‘‘Embrasse Moi’’ e ‘‘I Feel Love’’. Parte do álbum se deve a Andy Hill, que ajudou nos arranjos, fez a orquestração, tocou guitarra, baixo e teclados. O disco conta também com participação da Orquestra Sinfônica de Londres e a Orquestra do Royal Opera House.Luciana Pestano
ReproduçãoA voz visceral da gaúcha Luciana Pestano é a grande atração deste álbum. A cantora assina todas as letras e composições, que ganharam um tempero folk com alguns resquícios de blues, principalmente com a utilização de guitarras de 12 cordas e violões acústicos. Os arranjos - encabeçados pelo guitarrista Bebeto Alves - parecem apenas preparar terreno para a cantora soltar o vozeirão, que às vezes soa com rouquidão forçada. Luciana Pestano é melhor intérprete que compositora, e compõe melhor do que escreve. Entre os destaques está ‘‘Vá Embora’’, a primeira faixa, que conta com a harmônica de Felipe Lua. Entre as escorregadas está ‘‘Merda’’, que traz uma levada interessante mas peca no refrão, que repete o título. A música ganhou duas versões, uma só com Luciana ao violão e outra com arranjo country. O clima folk/country permeia todo o álbum, e os arranjos não são ruins. Mas às vezes a letra não corresponde à música. O disco é distribuído pela Polygram.Dadawa
ReproduçãoA Warner lançou este álbum da tibetana Dadawa, que ganhou um leve toque ocidental mas manteve as características interpretativas do Oriente. Às vezes lembra um pouco a New Age, com um teclado bem discreto e efeitos que remetem à natureza, como sons que imitam o sibilar do vento e canto de aves. O texto do encarte remete ao misticismo, dizendo que ao ouvir a voz de Dadawa podemos nos encontrar transportados a Lhasa no cair da noite em um vilarejo acima das montanhas. Mas a realidade é que a estrutura da música oriental entra em confronto com ouvidos excessivamente acostumados a parâmetros ocidentais, que trazem divisão de notas bem definidas. A segunda faixa, ‘‘Ballad of Lhasa’’ tem sons que lembram flautas, barulhos diversos e arranjos que provocam sensação de amplitude, vastidão. Em ‘‘The Six Dalai Lama’s Love Song’’ há barulho de portas abrindo, passos e cachorros latindo enquanto a música vai se formando lentamente. Um CD indicado para místicos.Inti Illimani
ReproduçãoEm meados na década de 60, a movimentação social no Chile gerou um movimento chamado Nova Canção. Foi neste contexto que surgiu o Inti Illimani, que comemorou 30 anos de carreira com o lançamento deste álbum. O grupo chegou ao final da década de 90 apostando em fusões rítmicas, mas sem abandonar as ligações com a música folclórica andina. Com o governo militar de 1973, o grupo se exilou na Itália por 16 anos. O Inti Illimani já tocou com Mercedes Sosa, Peter Gabriel, John Williams, Sting, Bruce Springsteen e Tracy Chapman. O grupo traz um bom instrumental, com destaque para ‘‘Medianoche’’, com elaborados arranjos de violão. ‘‘Campanitas - Mis Llamitas’’ traz um ritmo marcadamente latino, e outra vez o instrumental prevalece. O álbum tem alguns arranjos percussivos que lembram sons da natureza, com ruídos e percussões variados. Horacio Salinas assina a maioria das faixas, e o CD traz ainda duas músicas de Violeta Parra: ‘‘Exiliada del Sur’’ e ‘‘Lo Que Mas Quiero’’. O disco foi lançado pela EMI.Duran Duran
ReproduçãoO Duran Duran há tempos vinha se aproximando da música eletrônica e, em ‘‘Medazzaland’’, esses recursos ganham destaque. O disco traz também faixas interessantes arranjadas com baixo, bateria, guitarras e teclados - algumas até lembram fases antigas do grupo. Outras faixas não poupam o aparato eletrônico para criar um clima futurista com ruídos, vozes distorcidas e outros efeitos especiais. A faixa título, que abre o álbum, segue esse ritmo, acompanhado pelo baixo de John Taylor e a bateria de Steve Alexander. Em ‘‘Big Bang Generation’’, Alexander divide a bateria com Anthony Resta e os dois garantem uma boa levada, que dá suporte para a programação eletrônica que culmina num refrão bem definido, com guitarras acentuadas. O álbum de Nick Rhodes, Simon Lebon e Warren Cuccurullo, que formam o Duran Duran - os outros são músicos de apoio - é um bom disco pop, mas com certo tempero sombrio, depressivo, acentuado com ‘‘So Long Suicide’’, uma balada triste carregada de efeitos. O disco saiu pela Virgin.

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