Discos
Quem viu alguma apresentação ao vivo do Agnostic Front, seja in loco, em vídeo, ou apenas em foto, deve ter se impressionado com a cena: a banda tocando no mesmo nível do público, protegida apenas por alguns armários de cabeça raspada e com a carinha de quem costuma bater na mãe pelo menos duas vezes ao dia. E a platéia, composta por skinheads, punks e headbangers, pulando selvagemente ao redor e em cima da banda, e sendo devidamente arremessada de volta pelos seguranças. E, o que é mais estranho, sem brigas.
Por isto tudo festejamos o retorno desta que é uma das mais importantes bandas da cena hardcore mundial e o lançamento no Brasil de seu mais recente disco, Somethings Gotta Give. Este CD não decepciona os fãs. Produzido pelo igualmente legendário Billy Milano (SOD, MOD), traz a fúria dos velhos tempos, com uma pequena mudança de atitude, presente nas letras e que fica bem clara num aviso no interior do encarte: not all skins are racist. Aliás, o encarte traz outros avisos obviamente lá colocados pelos patrulheiros do politicamente correto (como a inscrição cuidado: álcool e drogas matam na faixa Paulie, the Beer Drinking Dog) ou pela atitude anárquica da banda (parem com os testes abusivos em animais. Usem estupradores e molestadores de crianças).
No total são 15 faixas do mais puro, bom e velho hardcore, com um destaque: Gotta Go, um autêntico hino Oi!, que lembra Cock Sparrer, que deixa o refrão grudado em seus ouvidos por horas, e que dá vontade de sair pulando até o vizinho dizer chega. No mais, esperamos que o acidente sofrido pelo baterista Jimmy Collette em setembro não tenha atrapalhado a banda na divulgação de seu disco. Ele levou dois tiros ao reagir a um assalto em setembro, em Nova Iorque.
ReproduçãoCarlos Augusto de Oliveira
Especial para a Folha 2
Reprodução
Agnostic Front - Somethings Gotta Give





