DISCOS - Ranulfo Pedreiro
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Teco Cardoso e Ulisses Rocha Lançado originalmente em 1993, o disco ‘‘Caminhos Cruzados’’ marca o encontro do violonista Ulisses Rocha e do saxofonista/flautista Teco Cardoso. Cardoso é sócio, ao lado de Benjamin Taubkin e de Mané Silveira, do selo Núcleo Contemporâneo, responsável pelo relançamento. O CD se justifica a cada faixa. O formato reduzido a sopro e violão obrigou os músicos a buscarem arranjos criativos para evitar espaços vazios. O que seria uma desvantagem foi transformado em recurso. Entre as boas interpretações está ‘‘Infância’’ (Egberto Gismonti), em que a ambientação é feita pela variação de instrumentos que Teco Cardoso toca. Ao mesmo tempo, o violão não se limita à harmonia, realizando também um bom trabalho melódico. Ambos, Teco e Ulisses, foram alunos e, posteriormente, professores da escola do Zimbo Trio. É música instrumental de primeiro time. O CD pode ser adquirido pelo site www.nucleo.art.br ou pelo telefone (11) 3873-1386.

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Vandder Lima O multinstrumentista mineiro Vandder Lima está lançando ‘‘Área 51’’, pelo selo Karmin, de Belo Horizonte (telefone: 31 223-7925). Totalmente instrumental, o disco trafega pela New Age com uma ambientação eletrônica. É essa ambientação que dá o mote de um álbum pouco melódico, mais voltado aos arranjos e à construção harmônica. O misticismo e temas como ufologia – a Área 51 seria um local onde alienígenas estariam aprisionados na Terra – transparecem. O problema é que a sonoridade obtida por Vandder Lima com recursos eletrônicos pode ter prazo de validade. Alguns sons se aproximam de clichês e, embora propositais, podem datar o CD. Em contraposição à eletrônica surge um etéreo violão, marcadamente acústico, auxiliando nos arranjos. Vandder Lima toca violão, baixo, bateria e outros instrumentos, e possui uma escola de música em Belo Horizonte. Todas as composições de ‘‘Área 51’’ são de sua autoria, e o disco saiu com apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

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Péri ‘‘Morda Minha Língua’’ é o segundo disco do cantor e compositor Péri, e foi lançado simultaneamente na Europa, Japão e Estados Unidos, além do Brasil, pelo selo Snow Creek e a distribuidora Ouver. Péri transita entre o pop e a MPB, agregando características regionais e referências diversas. Há também um cruzamento entre samplers e instrumentos acústicos. Ou seja, Péri utiliza os elementos que vêm caracterizando a nova MPB, buscando dar a todas essas referências características personalizadas. O resultado varia de faixa para faixa, o compositor ainda traz as oscilações de quem precisa um pouco mais de tempo para chegar à estabilização proporcionada pela maturidade. Há destaques como ‘‘Dedo de Deus’’ – com trejeitos de embolada – e a faixa-título ‘‘Morda Minha Língua’’ (ambas de Péri). Gravado em Los Angeles, o CD aproveita o destaque que a música nacional vem ganhando internacionalmente, embora o autor ainda permaneça quase desconhecido no Brasil.

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Cássio Gava Este é o segundo disco solo do compositor paulistano Cássio Gava e mostra parcerias com Zeca Baleiro (‘‘Toada’’), José Costa Netto (‘‘Dia Dia Diᒒ) e Luiz Tatit (‘‘O Dom’’). No texto de apresentação do disco, Jorge Mautner não poupa elogios. Em ‘‘Dois’’, Cássio Gava contou com um rol de recursos que o permitiram gravar com flautas, clarinetas, oboés, percussões e outros instrumentos diversificados. As composições vão do maracatu ao funk, sempre com um pé fincado no pop. Os arranjos trabalham cuidadosamente a grande quantidade de instrumentos disponíveis, mas a interpretação de Gava como cantor nem sempre corresponde, provocando altos e baixos no repertório. A mistura de gêneros fica clara quando o autor classifica as faixas como ‘‘bossa nagô’’, ‘‘pop tribal’’ ou ‘‘funk tropical’’. Com 15 músicas, o CD ‘‘Dois’’ foi lançado pela Dabliú (www.brmusicguide.com.br/dabliu) e tem distribuição da Eldorado (www.eldoradodiscos.com.br).

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Jorge Mello O universo popular nordestino alimenta ‘‘Claramente’’, disco de Jorge Mello lançado pelo selo CPC-Umes (www.umes.org.br). O repertório inclui forró, xote, modinha, embolada e baião, a maioria de Jorge Mello, além de parcerias com Cézar do Acordeon (‘‘Numa Cidade do Interior’’) e Belchior (‘‘Num País Feliz’’). Há ainda uma revisão de ‘‘Súplica Cearense’’, um dos grandes sucessos de Gordurinha, composta em parceria com Nelinho. Nascido no Piauí, Jorge Mello foi para o Sudeste com vários nordestinos que ganharam destaque na década de 70, como Fagner, Ednardo e Belchior. Um dos destaques é ‘‘Imã de Mato’’ (Jairo Mozart e Dida Fialho), arranjada com pífanos e percussão. ‘‘Claramente’’ é um disco despojado, sem acessórios, mas com arranjos discretos do competente Cézar do Acordeon. Não é um CD de arrasta-pé, nem contempla o chamado ‘‘forró universitário’’, mas sim uma compilação de um trabalho veterano e não-comercial.

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Élio Camalie Parceiro do compositor-revelação Kléber Albuquerque, Élio Camalie chega ao segundo CD com ‘‘Cria’’, um apanhado de canções próprias e parcerias em que o pop e a MPB se encontram em formação básica com baixo, guitarra, teclado e bateria, com variações. Há duas parcerias com Albuquerque: ‘‘Waldirene’’ e ‘‘Isopor’’. O despojamento de Élio Camalie contrasta com o amálgama eletrônico de Kléber Albuquerque, buscando sentidos mais acústicos. Por isso a sonoridade perde em recursos, ganhando um tempero folk-rock que ressalta a voz do compositor. O resultado é contido, com valorização do silêncio, sem uma multiplicidade de elementos disputando espaço. Nesta ótica, a simplicidade aparece como vantagem. Élio Camalie é de uma geração da MPB que inclui os compositores Madan, Cássio Gava e Luiz Gayotto, além do próprio Kléber Albuquerque. Todos eles encontraram respaldo na gravadora Dabliú. ‘‘Cria’’ também tem distribuição pela Eldorado (www.eldoradodiscos.com.br).

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