DISCOS - Ranulfo Pedreiro
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Felipe Cordeiro O compositor cearense Felipe Cordeiro estréia em CD com ‘‘Outras Esquinas’’. Cordeiro é veterano da MPB. Neste lançamento independente, ele ganha homenagem de pesos-pesados – principalmente da música mineira – como Boca Livre, Jorge Helder, Robertinho Silva, Lô Borges, Beto Guedes, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Zé Renato, Marcos Suzano, Joyce, Flávio Venturini e Nonato Luiz, entre outros. Os convidados se alternam nas interpretações. A ligação com Minas Gerais é intensa, com referência constante ao Clube da Esquina. A sonoridade traz harmonias cuidadosas e melodias intimistas. O álbum é também uma homenagem direta a Milton Nascimento, que escreveu um texto elogioso no encarte. Ao todo, são 17 canções e um prelúdio instrumental composto pela filha de Cordeiro, Janaína, ao lado do violonista Nonato Luiz. O disco é indicado para quem gosta de MPB em geral, principalmente aos fãs da música mineira. Os contatos podem ser feitos pelo e-mail: [email protected]

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Celia & Celma Dupla de proa da música caipira não-comercial, Celia & Celma vem mantendo uma coerência rara, à margem das flutuações do mercado fonográfico. Lançado pelo CPC-Umes (www.umes.org.br), ‘‘Brasil na Mesma Toada’’ traz um repertório que varia de Caetano Veloso a João Pacífico, passando por Raul Seixas e Ataulfo Alves. Nada controverso: as faixas são minuciosamente costuradas por instrumentistas de peso, como o violinista Zé Gomes, Cézar do Acordeon e o violonista e violeiro Ivan Vilela (ex-Anima). Os arranjos trazem linearidade ao repertório e interpretações de primeira, com destaque para ‘‘Mata Virgem’’ (Raul Seixas/Tânia Barreto) – uma das poucas versões que celebram o Raul Seixas compositor sem se deixar influenciar pelo Raul intérprete. A nostalgia típica das toadas transparece em resultados acima da média. O contraste com o sertanejo ‘‘moderno’’ é inevitável. Descompromissada, a dupla Celia & Celma revela, por trás da aparente simplicidade, um ótimo disco.

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Visão de Rua O universo feminino do rap nacional não difere muito do masculino. O grupo Visão de Rua, formado por Dina Dee, Lia e DJ Od lança seu segundo álbum, ‘‘Ruas de Sangue’’, pela Atração Fonográfica (www.atracao.com.br – 11-3872-3553). A marginalidade – e a sobrevivência a ela – é a temática principal, acentuada pela maternidade. Se há o olhar sobre a linha tênue que divide bandido de trabalhador na periferia, também há o enfoque da mãe se desdobrando para sustentar o filho. O Visão de Rua é um grupo amadurecido, com instrumental que não depende exclusivamente de recursos eletrônicos, abrindo espaço para guitarras e violões eventuais. A letra carrega uma verborragia pesada e rítmica, sem eufemismos. A violência tempera crises psicológicas, ressaltando a inversão de valores enraizada no crime. O grupo utiliza o polêmico recurso de retratar a violência para combatê-la, que vem provocando debates nacionais. É um bom lançamento para quem gosta do gênero.

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Roberto Mendes O entroncamento entre samba e viola é desnudado no disco ‘‘Tradução’’, de Roberto Mendes. Natural de Santo Amaro da Purificação, o compositor Roberto Mendes pesquisou o samba do Recôncavo Baiano chamado tradicionalmente de chula, acompanhado por palmas e violas. O disco, duplo, traz duas linhas definidas: uma releitura feita pelo próprio Roberto Mendes – e convidados – e a gravação dos grupos tradicionais. Entre os convidados aparecem Caetano Veloso, Jussara Silveira, Margareth Menezes e Grupo Barravento. No primeiro CD, Roberto Mendes utiliza o gênero para pontuar composições próprias. Não há distorções, mas o apuro da gravação traz uma aproximação com a MPB. O segundo CD, além de gravações originais, ainda traz depoimentos de participantes. Enfim, ‘‘Tradução’’ alia pesquisa de campo com qualidade interpretativa. Um prato cheio para quem gosta de música popular. Vale lembrar que Roberto Mendes é um veterano que já acompanhou Maria Bethânia, Gal Costa e Zezé Mota.

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Luz das Cordas Este é o primeiro encontro gravado de dois bambas da música instrumental: o violonista Marco Pereira e o bandolinista Hamilton de Holanda. Ambos são reconhecidos como compositores e instrumentistas. Marco Pereira é destaque pela interpretação minuciosa e técnica, enquanto Hamilton de Holanda carrega descontração em um bandolim para lá de preciso. O duo ganha respaldo, no CD, de músicos como Esguleba e Beroba (percussão), Bororó (contrabaixo) e outros. É o choro de cara nova, apresentando-se como um meio interpretativo que respalda ritmos tão diversos como baião, samba, xote e outros. Marco Pereira toca violões de 6, 7 e 8 cordas. O duo é impecável e faz ótimas versões de músicas como ‘‘Las Abejas’’ (Agustín Barrios), ‘‘Na Baixa do Sapateiro’’ (Ary Barroso) e outras. ‘‘Luz das Cordas’’ é um trabalho primoroso produzido por Swami Jr. O disco ganhou distribuição pelo Núcleo Contemporâneo (www.nucleo.art.br – telefone: 11-3873-1386).

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Blues Etílicos Quinze faixas gravadas ao vivo no Sesc Pompéia, no ano passado, recheiam o CD ‘‘Águas Barrentas’’, lançado em comemoração aos 15 anos da banda Blues Etílicos. Quando o grupo surgiu, o cenário nacional era quase nulo, e muitos desacreditavam que brasileiros pudessem tocar blues com destreza e espontaneidade. O assunto é, ainda hoje, motivo de discussão. Mas o fato é que o Blues Etílicos foi pioneiro e abriu picadas para um mercado promissor. Flávio Guimarães, um dos fundadores do grupo, vem fazendo escola na harmônica. O repertório faz uma coletânea da carreira, incluindo principalmente composições em português, como ‘‘Dente de Ouro’’ (domínio público) e ‘‘Cerveja’’ (Fausto Fawcett/Gerg Wilson/Cláudio Bedran). Há três inéditas: ‘‘Luz de Maluco’’(Pedro Strasser/Mário Filho), ‘‘Na Pele’’ (Pedro Strasser) e ‘‘Camelo’’ (Otávio Rocha/Greg Wilson). Como o grupo já está amadurecido, a gravação ao vivo ganha em descontração. O CD saiu pela Eldorado (www.eldoradodiscos.com.br)

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