DISCOS - Ranulfo Pedreiro
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Ernesto Pires
Ernesto Pires tanto revirou que acabou achando uma raridade: Carioca Boêmio, um samba perdido de Heitor dos Prazeres, gravado no CD Novos Quilombos, lançado pela Rob Digital. Carioca que viveu muito tempo em São Paulo, Ernesto Pires cultivou o samba em noitadas pela cidade, enquanto exercia, durante o dia, a profissão de engenheiro químico. De Minas Gerais, Ernesto Pires buscou o sotaque rural de Ai que Saudade do Mar. Bixiga faz homenagem ao bairro boêmio, onde o cantor se apresentou em várias casas. Dos acompanhantes, vale destacar Roberto Marques no trombone, a presença da pastora Surica, da Velha Guarda da Portela, no coro, e do cavaquinho de Zé Paulo, também responsável pelos arranjos nomes de peso para um CD de estréia. O encarte é ilustrado por três bares cariocas: o Candongueiro, o Cafofo da Surica e o Bip Bip, lugares onde o samba marca ponto.
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Délcio Carvalho
O sambista Délcio Carvalho traz sua prosa boêmia em A Lua e o Conhaque, CD lançado pelo CPC-Umes. O disco já revela, de cara, o padrão: Fio de Melodia (parceria de Délcio com Dona Ivone Lara) ganha introspecção com a voz amadurecida do compositor, acompanhado pelo violão de Helio Delmiro. Na sequência, Sonho Meu (Dona Ivone Lara/Délcio Carvalho) aparece cuidadosa, com participação de Zeca Pagodinho. A qualidade não surge à toa, Délcio ganha acompanhamento de feras como Wilson das Neves (bateria), Marcos Esguleba (percussão), Cristóvão Bastos (piano), Marcos Souza (piano), Sivuca (acordeom), Roberto Marques (trombone), Josimar Monteiro (violão de sete cordas), Oscar Bolão (bateria) e muitos outros. O CD traz partido alto, samba-canção, valsa e até um fado feito em parceria com Capiba (Sem Pressa de Chegar).
Nilson Chaves
O cantor e compositor amazonense Nilson Chaves está lançando, pela Outros Brasis (www.outrosbrasis.com.br, telefone 21 527-8087), o CD Gaia. O lançamento representa uma mudança na carreira de Chaves, que aparece mais percussivo, às vezes mais intimista, em um CD em que os instrumentos acústicos falam alto. Do interior amazonense, fincando os pés na terra, Nilson Chaves busca uma perspectiva global. A idéia é traduzida, no encarte, pela imagem de um índio engravatado. O recado é ecológico: as consequências da civilização se refletem na própria humanidade. Gaia traz a visão do planeta como um ecossistema unificado. A sonoridade resultante tem um sotaque caboclo, sem pretensões comerciais. Nilson Chaves realizou alguns shows com Chico César. A influência do paraibano trouxe elementos que Nilson Chaves aproveita neste disco. Algumas letras são cuidadosas: Não quero plantar saudade/ Nos lugares que ocupas/ Nem quero minhas arrogâncias/ Sustentando minhas desculpas, diz Escuta/Meninainha.
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Tá na Área
O programa Tá Na Área, comandado por Alê Primo no Sportv, está lançando a coletânea Futebol Pop, em parceria com a Santa TV (www.santatv.com.br). Tá na Área especula sobre vários assuntos pela ótica do futebol. O CD saiu com 2 mil cópias reunindo bandas que passaram pelo programa que está completando cinco anos. Do total de 18 faixas, 12 foram feitas com exclusividade, enquanto as outras cinco são versões. No disco, a praia é o pop, representado por bandas como FunknLata, Squaws, Cablocada, Ultramen, Pedro Luís e a Parede, Otto, Vinny e Nenhum de Nós, entre outros. Como quase toda coletânea, o resultado é irregular, com destaque para a Rita Ribeiro (Umba Bara Uma, de Jorge Benjor), Pedro Luís e a Parede (com a embolada Pelada, de Pedro Luís), Jorge Mautner e Nelson Jacobina (que fizeram parceria em O Juiz Apitou). As recaídas ficaram com Nenhum de Nós (90 Minutos, de Theddy Corrêa) e Otto, que errou a mão em A Revolução do Futebol.
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Quinteto em Branco e Preto
O samba nunca foi monotemático, como pregam tendências atuais. Quando se pensa que a antiga malandragem desapareceu, surge esse grupo de jovens músicos paulistanos para provar o contrário. E respaldado por Beth Carvalho, Nei Lopes, Almir Guineto, Monarco e Wilson das Neves, esclarecendo que o samba de São Paulo não deve nada a ninguém. Riqueza do Brasil é o título do CD que está saindo pelo CPC-Umes. A maioridade do Quinteto em Branco e Preto no assunto está na sonoridade bem construída, com direito a violão de sete cordas e tudo o mais. As letras falam de problemas sociais, religião, infância e também amor. As homenagens se proliferam a Sombra, Luiz Carlos da Vila, Nelson Cavaquinho, Ataulfo Alves, Wilson Batista, Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Délcio Carvalho, Osvaldinho da Cuíca, Elton Medeiros e outros. Em Fetiche Real, o presidente FHC leva uma dura: Não há país de Fernando/ Que Cardoso não enrique. É o samba de verdade dando sinais de vigor. Os contatos com o CPC-Umes podem ser feitos pelo telefone (11) 885-8857.
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Lia de Itamaracá
Com 43 anos de carreira, a cirandeira Lia de Itamaracá só agora consegue gravar seu próprio disco, Eu sou Lia, lançado pela Rob Digital. A especialidade é um gênero que há tempos não ganha destaque na mídia: a ciranda. Aqui a melodia é vocal, rodeada por um saxofone o fundo é puro ritmo. Com voz forte, afro-brasileira, Lia expõe suas raízes pernambucanas com toda personalidade. Na ciranda de Lia caem as máscaras, seu estilo é cru até o osso, simples e direto. Não há maquiagens. Além do sax de Bezerra, aparecem em duas faixas o trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Pontes. A faixa título é uma homenagem de Paulinho da Viola. Há, ainda, uma composição de Capiba Minha Ciranda , várias de domínio público e outras da própria Lia, que começou a cantar ciranda aos 12 anos as exceções do disco são um maracatu e um coco. Os contatos com a Rob Digital podem ser feitos pelo telefone (21) 539-1248 ou pela home page www.robfilmes.com.br.





