Discos - Ranulfo Pedreiro
Discos - Ranulfo Pedreiro
ReproduçãoFrank AguiarA Abril Music está lançando o oitavo disco de Frank Aguiar, conhecido como o cãozinho dos teclados pelos uivos que costuma dar entre um arranjo e outro. O material de divulgação diz que já foram encomendadas 250 mil cópias do lançamento. Um Show de Forró vol. IV é representante do forró comercial que invade as rádios ao lado da axé music e sertanejo. Com cerca de 15 anos de estrada, o piauiense Frank Aguiar chegou a São Paulo em 1992 e passou a fazer shows na periferia. Atualmente, já vendeu mais de 1 milhão de álbuns. O disco traz vários pot-pourris, destacando músicas de Gaúcho da Fronteira e sucessos como Nóis Não Vive Sem Muié e Pé de Bode. No intuito de encher a pista, sobram uivos, mas falta perenidade. Ao seguir as fórmulas que hoje fazem sucesso, o músico cai nos erros decorrentes: diluição do gênero e sua consequente fragilização.
Dunga
ReproduçãoEste é mais um dos discos de pagode não-comercial que a Velas anda lançando. Dunga é um compositor que vinha se destacando na década de 80, mas perdeu espaço quando o pagode se desviou em direção ao tilintar das moedas. Depois de mais de dez anos, ele está de volta, arrancando elogios de sambistas como Nei Lopes. Sedução conta com participação do Toque de Prima e lembra o pagode tocado em roda, em volta de uma mesa cheia de garrafas de cerveja. A temática também é diferente: o gênero volta a se aproximar do terreiro, do jongo e do samba-de-roda. Os temas não se restringem a corações partidos e abrem espaço para a malandragem que circunda o meio. Num momento em que o neo-pagode ou o pagode comercial dá sinais de cansaço, a volta à cena de figuras que não se preocuparam muito com o mercado pode ser mais um sintoma de que o barco ainda não afundou. A mira, agora, está se delocando para outros alvos.
Joel Nascimento
ReproduçãoEste álbum não é uma novidade, mas ainda pode ser encontrado nas prateleiras. O bandolinista carioca Joel Nascimento rende tributo ao mestre Jacob do Bandolim, mostrando seu estilo minucioso. Jacob foi um músico tão importante que espalhou a sombra de sua influência sobre várias gerações do choro. Joel Nascimento bebeu da fonte, mas desenvolveu personalidade. O CD traz grandes clássicos, como Diabinho Maluco, Reminiscências e Noites Cariocas nas palhetadas características de Joel, que trabalha o instrumento com leveza e agilidade, manipulando a intensidade das notas. Ao contrário de Jacob, que insistia numa estrutura rígida do choro, Joel Nascimento seguiu outros rumos, aproximando-se da música camerística, apontando novidades como solista do Camerata Carioca. Mas a essência do gênero o que Jacob chamava de autêntico não se afastou das cordas de Joel Nascimento, presente nos improvisos e na descontração de suas releituras. O contraste entre os dois bandolinistas já vale o disco, que saiu pela RGE em 1998.
Luizinho SP
ReproduçãoA origem do pagode hoje está distante dos grupinhos que se proliferam nos programas de auditório da TV. Na música urbana, o pagode surgiu na década de 70 como uma variação do partido-alto, e ganhou destaque na década de 80 com Zeca Pagodinho e o grupo Fundo de Quintal, entre outros. É nessa vertente que se localiza Luizinho SP, compositor que está lançando, pela Velas, o álbum Departamento de Pagode, segundo disco de sua carreira. O CD não pode ser confundido com mero pagode comercial. Há uma distância definida entre ambos: Luizinho SP prefere seguir os passos de Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila e, no álbum, não parece muito preocupado com a caixa registradora. Há, inclusive, uma regravação de Eu Canto Samba, de Paulinho da Viola. Se Departamento de Pagode não é exatamente uma obra-prima, pelo menos não traz a cansativa pasteurização em voga.
Toque de Prima
ReproduçãoQuem não acreditava que em tempos de pagode caça-níquel pudesse aparecer algo interessante no universo do samba, o Toque de Prima é uma surpresa. No álbum Se Tem que Ser, Será, lançado pela Velas, é possível ouvir partidos-altos e sambas-de-roda bons. O cuidado com o trabalho começa no repertório, que reúne composições de nomes como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Wilson das Neves, Paulo César Pinheiro, Martinho da Vila, Nei Lopes, Luiz Carlos da Vila e Almir Guineto. Há também participações de Dominguinhos, Ivan Lins, Joyce e Zeca Pagodinho. Toque de Prima busca inspiração nos Mensageiros do Samba, grupo formado por Candeia. O instrumental não decepciona, há baixarias de violão de sete cordas, cuíca, cavaquinho palhetado com segurança e, coisa rara, instrumentos audíveis que não se tornam uma massa sonora incompreensível, como é hábito em vários grupos. Lembrando antigos mestres, o Toque de Prima fez um disco acima da média.
Os Troxas
ReproduçãoDesde a morte dos Mamonas Assassinas que a indústria fonográfica procura um grupo para se destacar no cenário do rock besteirol. É um trabalho difícil. Situado numa linha tênue do humor, em que qualquer escorregão se torna um desastre, o gênero ainda não encontrou um sucessor que faturasse tanto. Os Troxas, grupo que chega pela RDS Fonográfica, força o estilo com letras pouco criativas, englobando rock, forró, pagode, marcha de Carnaval, reggae e hardcore. O humor é forçosamente duvidoso, distribuído por faixas como Fedozinho Gostoso, Eu Quero Nhá-Nhá, Corno Manso e outras. O melhor momento se é que existe é Fedozinho Gostoso, em que o grupo copia os clichês do pagode e o vocalista imita, ao mesmo tempo, Romário e Netinho do Negritude Jr. O humor, mal calculado, provoca versos como o refrão de Corno Manso: Baby sou corno/ Sou conformado/ Melhor ser corno/ Que ser viado. Tamu Cheganu, título do lançamento, já dá uma idéia do que rola.





