Patricia Marx

Patricia Marx, a cantora-mirim do Trem da Alegria, metamorfoseou-se numa intérprete e compositora cool. ‘‘Respirar’’ (Trama), seu novo e oitavo disco solo, joga uma pá de cal sobre as primeiras incursões revelando-se um projeto arriscado e quase inacessível para os antigos fãs.
Assinando onze de 12 faixas, ela envereda agora pelas batidas climáticas do broken beat – a variação mais melódica do drum’n’bass – mesclando os timbres eletrônicos com os sotaques do samba, da bossa nova e do jazz. Hesitante na maioria das canções, Patricia convida Wilson Simoninha para um dueto em ‘‘Dona Música’’, o rapper MC Kontrol para uma participação em ‘‘Earth’’, o grupo inglês 4hero para produzir as músicas ‘‘Submerso’’ e ‘‘Dona Música’’ e o legendário João Parahyba (do Trio Mocotó) para tocar percussão na bossa ‘‘E o meu Amor Vi Passar’’ – a melhor faixa do CD. Apesar da ousadia, a empreitada soa aquém das ambições.


Lady Zu

Lady Zu, o mais recente resgate da black music brasileira, incorpora o r&b em seu álbum ‘‘Number One’’ (Abril Music). O disco rompe um silêncio de doze anos da cantora, cuja fama de rainha da discotheque pouco significou para a indústria fonográfica ao longo das duas últimas décadas.
Saudada na época áurea como a ‘‘Donna Summer brasileira’’, ela teve seus dois primeiros álbuns relançados no ano passado, o que ajudou a tirar-lhe do ostracismo e dar um empurrão em sua volta ao estúdio. Agora recauchutada, ela se mostra uma intérprete segura tentando se equilibrar num repertório oscilante calcado em r&b, funk, soul e canções-babas.
Nestas últimas, pasmem, ela chega a remeter a Sandy e similares tal o baladismo apelativo de faixas como ‘‘Procura’’ e ‘‘Um Mundo Feito Pra Você e Eu’’. Mas Lady Zu redime-se impondo elegância ao longo do CD, particularmente na regravação do hit ‘‘A Noite Vai Chegar’’ (agora em versão r&b) e em ‘‘Assim Não Dᒒ (com vocais rap da cantora Hannah Lima).

Patricia Coelho

A fama instantânea, promovida por reality shows televisivos, transformou o showbizz num circo de oportunistas. A cantora Patricia Coelho, representativa do fenômeno, fez um disco às pressas para aproveitar os ‘‘15 minutos’’ de exposição que Silvio Santos lhe concedeu ao convidá-la para participar da primeira Casa dos Artistas.
O CD reúne 12 canções pop-rock aguadas que, talvez, não seja ouvido nem por Alexandre Frota ou Bárbara Paz (seus amigos na Casa) sem que ela esteja por perto. A timidez dos arranjos reitera o raquitismo melódico das composições. O repertório reúne músicas de gente como Kiko Zambianchi, Paulinho Moska e Sideral. Patricia ainda regrava ‘‘Besame Mucho’’, de Consuelo Velasquez. Justiça seja feita à sua atuação como intérprete, cujos vocais vigorosos sobressaem aqui e ali em meio aos escorregões.

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