Quais as bandas mais influentes da história do rock? Faça sua listinha e envie para esta coluna. Na próxima semana, publicaremos os nomes das mais votadas pelos leitores, que concorrerão a um sorteio de uma pilha de revistas bacanas.
Convém lembrar que, anos atrás, a revista inglesa Q fez uma pesquisa semelhante. Entre os nomes destacados na enquete figuravam The New York Dolls e Buzzcocks, duas bandas mais ou menos ''malditas'' que voltam a circular nas lojas brasileiras com o lançamento simultâneo de seus respectivos álbuns ''Lipstick Killers'' e ''Buzzcocks''.
O primeiro disco captura os New York Dolls em seus primórdios documentando um show do grupo no Mercer Street Arts Center, uma minúscula meca da arte de vanguarda nova-iorquina na região do Soho. Quando chegou às lojas, saiu apenas em cassete precedendo ao lançamento de seu primeiro álbum. Por isso, tornou-se uma relíquia da gravadora Choir, que entrou para a história do rock não só por registrar gravações exclusivamente em fitas como por contar o percurso da geração pré-punk através de seu catálogo.
A gravação foi feita numa noite de verão de 1972, quando o quinteto passou boa parte de seu repertório numa só tacada. O registro é despojado, mas limado, porque não traz o calor da platéia. O material é cru, rugindo rock'n'roll de garagem com influência de rhythm and blues em conexão direta com os Rolling Stones. Clássicos do grupo como ''Frankestein'', ''Bad Girl'' e ''Looking for a Kiss'' juntam-se a covers de Bo Didley (''Pills''), Otis Redding (''Don't Mess With Cupid'') e Sonny Boy Willianson (''Don't Start Me Talking'').
Na ocasião, a banda apresentava a encarnação original com David Johansen nos vocais, Sylvain Saint e Johnny Thunder nas guitarras, Arthur ''Killer'' Kane no baixo e Billy Murcia na bateria. Após a gravação desse material, Murcia morreu numa overdose de heroína, sendo substituído por Jerry Nolan. Durante um breve período, a banda levantou poeira como expoente do ''glitter'', a versão americana do ''glam'' britânico que tinha David Bowie e Marc Bolan como seus arautos.
A exaltação da androginia, as roupas de mulher e a maquilagem carregada faziam seguidores nos dois lados do Atlântico. Depois de lançarem os álbuns ''New York Dolls'' (1972) e ''Too Much Too Soon'' (1974), dois fracassos comerciais, foram relegados ao ostracismo. Posteriormente, tentaram retornar aos palcos empresariados por Malcolm McLaren, mas acabaram sucumbindo à voracidade do mercado.
Mais tarde, as enciclopédias passaram a valorizar seus dois únicos discos oficiais e apontar a banda como precursora do punk. Os Buzzcocks, por sua vez, surgiram no estopim do movimento. De Manchester, seus integrantes conquistaram o mundo como um dos pilares do punk inglês ao lado dos Sex Pistols e The Clash, sem a mesma exposição destes. De lá para cá, a banda virou objeto de culto influenciando meio mundo, de Kurt Cobain aos Hives.
Em 1981, os Buzzcocks se dissolveram ficando oito anos sem gravar discos. Shelley dedicou-se à carreira-solo incursionando pelo tecnopop. Em 1990, o grupo se juntou novamente para uma série de shows em bares minúsculos da Inglaterra. Continuaram tocando ao longo da década, período em que experimentaram um entra-e-sai de integrantes. Shelley e Steve Diggle (guitarra), os remanescentes da formação original, ficaram e tocaram o barco para frente.
Há dois anos, o primeiro veio várias vezes a Londrina para visitar a então namorada, Maíra, guitarrista da extinta banda 3 Cool Chicks. Numa das estadias, chegou a tocar no bar Valentino com a banda local The Cherry Bomb. Depois, trocou desaforos com a guria e nunca mais voltou à cidade. ''Buzzcocks'', o novo disco de sua banda, sugere um retorno restaurador aos estúdios.
Em 12 faixas, os músicos retomam a pegada punk pop dos primeiros tempos, privilegiando a melodia em detrimento dos acordes ruidosos tôscamente tocados que marcam o estilo. Faixas como ''Keep On'' e ''Sick City Sometimes'' poderiam até figurar na memorável coletânea ''Singles Going Steady'' (1979), esta sim uma das melhores compilações de banda de todos os tempos.

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