DISCOS - Fornada indie
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domingo, 04 de janeiro de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Despertou-se, enfim, para o filão ''indie''. O sucesso de bandas como The White Stripes, The Strokes e Coldplay parece ter animado as grandes gravadoras a investir no estilo nesta temporada. Vários títulos estão chegando às prateleiras nacionais depois de serem badalados no exterior.
Entre os lançamentos de virada de ano figuram CDs das bandas The Black Keys, Elbow, Doves, The Datsuns e Ok Go. Provavelmente, o primeiro nome da lista seja o que mais tenha excitado a curiosidade do leitor iniciado em rock alternativo, afinal a dupla de Ohio (EUA) vêm obtendo rasgados elogios da crítica gringa.
A comparação com os The White Stripes é recorrente. Não só pela formação guitarra-bateria, mas pela fusão de garage rock e blues. ''Thickfreakness'' (Sum Records) é o segundo álbum de Dan Auerbach e Patrick Carney, que gravam pelo selo Fat Possum Records, de Oxford, Mississipi.
É cru, áspero, sujo e direto. Não por acaso, inclui a faixa ''Have Love, Will Travel'', cover do The Sonics, podreira garageira dos anos 60. Todas, ou quase todas as faixas trazem um riff encardido e circular de guitarra. Dan Auerbach canta como um bluesman do Delta do Mississipi.
Seus vocais, processados, soam como registros tôscos em gravação mono caseira. Tocando blues branco, os Black Keys filiam-se à linhagem de bandas como Cream, Free e Canned Heat. Só não espere ouví-los no rádio, como os White Stripes.
Também aclamado pelas revistas estrangeiras, o quinteto britânico Elbow é outro que tem seu segundo CD desembarcando nas lojas brasileiras nesta troca de calendário. Formado em Manchester, o grupo apresenta 11 faixas calmas no álbum ''Cast of Thousands'' (Sum Records), sugerindo uma mistura de Coldplay com Doves e alguma inclinação para o Radiohead.
Anti-rock, Elbow opera com os opostos do barulho energético. Marcado pela discrição instrumental, seu disco apresenta-se como um anticlímax para indies aflitos, ansiosos em descobrir uma ''nova grande banda'' em Manchester. O já citado Doves, que já pintou como revelação na cidade, também tem seu novo trabalho lançado por aqui.
''Lost Sides'' (EMI), o terceiro depois de ''Lost Souls'' (2000) e ''The Last Broadcast'' (2002), reúne os lados B de seus singles. Como os álbuns anteriores, mais promete do que cumpre com suas melodias suaves e ambiências etéreas. A impressão é que Doves ficará para a história como a banda de uma canção só, a impagável ''Here It Comes'', do álbum de estréia.
Completando a fornada de lançamentos, chegam ao público os CDs homônimos das bandas Ok Go e The Datsuns. A primeira, de Chicago (EUA), toca punk pop e power pop com acentuado apelo radiofônico em faixas como ''What To Do'', ''Return'', ''Bye Bye Baby'' e ''Shortly Before The End''. Facilmente cantaroláveis, suas canções poderão espantar indies esnobes, mas conquistar adesões entre fãs do Blink 182.
The Datsuns, por sua vez, foi uma das bandas mais comentadas lá fora no começo de 2003. Oriunda da Nova Zelândia, executa um hard rock com um pé no anos 70 na linha dos Hellacopters, Backyard Babies e The Darkness. Aqui e ali, os vocais lembram o Supergrass, embora em ''Fink For The Man'' remetam ao Led Zeppelin. Eleita revelação de 2002 pelo tablóide inglês New Musical Express, The Datsuns desenterra riffs famigerados de guitarra apostando na mania retrô que contamina o planeta pop.


