Em seu terceiro disco homônimo , pela Trama, Max de Castro prova mais uma vez a que veio. Dominando como ninguém a interação da música eletrônica com a acústica, mostra um CD burilado, em que a riqueza das letras está de acordo com o trabalho sonoro. ''A cada disco, que para mim é um registro para sempre, busco não me repetir, gosto de ousar outros caminhos artísticos. É o que valorizo no meu processo artístico'', destacou o músico, que tem pela mesma gravadora ''Samba Raro'' (1999) e ''Orchestra Klaxon'' (2002).
Dedicado a Antonio Gomes de Castro, seu filho de 1 ano e meio, Max conta que foi ele a sua maior inspiração para seis meses de dedicação intensiva para a realização do novo disco, finalizado em 2004. ''Foram seis meses diariamente dedicados ao disco. Não fiz nenhum show nesse período ou outro tipo de trabalho. Foi uma coisa não muito usual, mas deu qualidade ao trabalho. Não ter que conviver com a pressão da gravadora ou artística ajudou muito. Conseguimos um disco solto e rico de elementos'', disse.
Nas 12 faixas inéditas, Max fez questão de contemplar a participação de músicos consagrados como Naná Vasconcelos (''Ciranda''), Toninho Horta (''Teia Dramática''), entre outros, com músicos jovens como Robinho, da periferia de São Paulo, integrantes da percussão da Vai Vai e Pupilo, da Nação Zumbi. ''Conseguimos um encontro de gerações que permitiu trocar diversas idéias musicais e isso é uma forma de valorizar os trabalhos desses músicos.''
Sobre a integração da música eletrônica e acústica, que muitas vezes parece quase imperceptível no disco, Castro disse que não teve a preocupação de fazer algum tipo de diferenciação entre elas. ''Não tenho esse tipo de barreira. Considero as duas formas interessantes, depende apenas da maneira como são trabalhadas. Acho interessante causar um pouco de confusão nas pessoas entre o que é programado e o que é acústico...'', comentou.
''A minha intenção era pegar as pessoas pela mão e trazê-las para dentro da música, diferente do que é feito hoje, onde muitas vezes a música 'invade' a vida das pessoas. A idéia é que a cada audição se vá conhecendo melhor o trabalho, que é cheio de detalhes'', ressaltou.
Filho de Wilson Simonal, que no final da década de 60 se consagrou como um dos maiores astros da MPB, e irmão do também talentoso Wilson Simoninha, Castro lembrou que a sua ligação com a música começou pelo ''amor ao disco''. ''O meu primeiro disco comprei aos 10 anos, era o disco Thriller, do Michael Jackson, e não parei mais. Tinha uma fixação pelo objeto disco, o encarte, e sempre sonhava que um dia teria o meu próprio disco...''.
Depois de show programado para 28 de abril, em Brasília, Castro segue em turnê para lançamento do disco na Rússia, Espanha, França e Inglaterra. ''Pela primeira vez vou poder estar na Europa no momento do lançamento, o que favorece muito a divulgação.''
Ele admite que no Brasil, devido à sua dimensão, haja mais dificuldade no trabalho de divulgação e que não sente falta de estar mais em evidência em programas televisivos populares. ''Nem sempre a participação nesses programas é garantia de que as pessoas que assistiram vão comprar os discos. Às vezes o músico até 'paga mico' e nem tem a chance de mostrar a sua música. Não vale a pena se dispor a isso. Gosto de construir uma relação mais sólida com o meu público'', argumentou o músico, que no início de junho deverá se apresentar em Curitiba.

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