Discos - A caminho do bueiro
A caminho do bueiro
A banda paulistana Lagoa tirou o 66 do nome e acrescentou mais guitarras distorcidas ao balanço funk de sua primeira fase, quando frequentava programas de auditório com uma demo-tape a tiracolo no início da década.
Embora o funk-metal predomine, o disco apresenta outros ritmos cruzados como a levada ska em A Mulher do Canadá, o reggae de Processo, o rap beastie boysiano de Bem Feito e até o inusitado country-punk de Gisleide Neide.
O disco chega às lojas produzido por Rick Bonadio, o
mesmo dos Mamonas Assassinas. A familiaridade com a banda de Guarulhos é evidenciada no raso imaginário das letras, que acaba despachando os rapazes para o mesmo bueiro onde se afundam nove de cada dez bandas nacionais bocas-sujas recém-lançadas no mercado. (N.S.)
Influências tardias
O efeito-Metallica ecoa no pedaço. Como James, Kirk, Jason e Lars, os integrantes da banda paulistana Viper também cortaram os cabelos e apaziguaram a sonoridade crua de seu disco anterior.
E mais: como muitas bandas nacionais, trocaram o inglês pelo português. Produzido por Mayrton Bahia, o novo trabalho não só marca uma reviravolta na trajetória da banda dos irmãos Passarell como pode arrastá-la para um melancólico ostracismo. O disco soa a pop oitentista de bandas brasilienses como Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana.
É flagrante, por exemplo, a influência da Legião na faixa Quinze Anos. E, não por acaso, o álbum traz uma regravação de Mais do Mesmo, do grupo de Renato Russo. Mas Yves Passarell, de cabelos curtos, ficou mesmo é com a cara do Renato Gaúcho, aquele do Fluminense. (N.S.)
Rock escatológico
Que capinha mais...singela, não? Esse é o álbum de estréia da banda Suínos Tesudos, que transforma o jeito Beavis & Butt-Head de ser em plataforma musical. Como os dois pivetes da série televisiva, o quinteto carioca maltrata todos os resquícios civilizadores construídos desde que o mundo é mundo.
É o metal a serviço da escatologia! Há duas semanas, o Vaticano lançou um alerta aos fiéis apregoando que ouvir rock poderia significar a perda da alma. Bem, o que os cardeais da Igreja teriam a declarar depois de ouvir a faixa de abertura Jesus era Rastafari, que diz com todas as letras que Jesus queimava umas ervas para chegar mais perto de Jah?
O público da MTV, porém, parece ter adotado a banda. O clipe da música Tumbalaya, caudalosa grosseria verbal, já esteve em alta rotação na emissora. (N.S.)





