DISCO/LANÇAMENTO
Nelson Sato
de Londrina
Só meia dúzia de gatos pingados expandiu as fronteiras do pop. Nessa constelação de visionários, Bobby Gillespie talvez seja o grande desbravador do presente. Há mais de uma década à frente do Primal Scream, o compositor e vocalista escocês volta a surpreender público e crítica com seu novo álbum Exterminator, que começa a chegar às importadoras brasileiras.
O álbum é uma explosão de batidas, ruídos, distorção e incursões jazzísticas. É o sexto na carreira da banda. Abre com um despertador e vozes da atriz Linda Manz sampleadas do filme Out of the Blue. Aos poucos, camadas de efeitos eletrônicos combinam-se com roncos de baixo e vocais que remetem à black music.
A faixa seguinte, Accelerator, é um caos de guitarras microfonadas. Lembra Jesus and Mary Chain, grupo no qual Gillespie tocava bateria antes de formar o Primal. Accelerator foi mixada por Kevin Shields, do My Bloody Valentine. Notem que a mudança de estilo entre uma faixa e outra, acompanha a própria discografia da banda. Mas quem ousa atribuir tais oscilações à famigerada falta de identidade?
Primal Scream estreou no final dos anos 80 com Sonic Flower Groove. Na época, críticos notaram influências dos Byrds e o disco passou batido. Primal Scream foi o título seguinte, outro álbum retrô, desta vez revisitando o glam rock. Na virada da década, quando a Inglaterra descobria o ecstasy e as raves, Bobby Gillespie sintonizou-se com a atmosfera das ruas e acabou gestando Screamadelica.
O álbum foi aclamado como o primeiro a levar às últimas consequências a fusão entre dança e rock. Quando todos esperavam um passo à frente, Gillespie e sua turma deram uma marcha à ré clonando Rolling Stones e The Faces em Give Out But Dont Give Up. Três anos depois, retomaram as experiências eletrônicas em Vanishing Point, inspirando-se em trilhas sonoras de filmes policiais dos anos 70.
Exterminator mantém a inventividade. Só que a abordagem soa mais urgente, pesada e suja. Traz faixas techno de 7 minutos de duração (Swastika Eyes, em duas versões), hip hop (Pills, mixada por Dan the Automator), balada arrasadora com piano de brinquedo e teclados etéreos (Keep Your Dreams), zoeira claustrofóbica de rock industrial riscada por scratches (Insect Royalty) e free jazz psicodélico (MBV Arkestra/if they move kill eml e Blood Money).
Nesta última, a grande faixa do CD, o baixista Gary Mani Mounfield (ex-Stones Roses) e o baterista Darrin Mooney dão um verdadeiro show dialogando com saxofones, trumpetes e uma guitarra nervosa. O disco é repleto de participações especiais. Além do já citado Kevin Shields, traz o duo Chemical Brothers, o guitarrista Bernard Summer (do New Order), os produtores e DJs David Holmes e Jagz Kooner e uma gangue de músicos de apoio.
Mais uma vez, um Primal obrigatório.A banda escocesa Primal Scream lança álbum que combina techno, rock e free jazz
ReproduçãoBobby Gillespie: vocalista e compositor tocou bateria no Jesus and Mary ChainReproduçãoNovo álbum traz participações especiais dos Chemical Brothers, David Holmes, Bernard Summer (New Order) e Kevin Shields (My Bloody Valentine)





