DISCO/LANÇAMENTO - Sinatra de tênis
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de novembro de 2005
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Vinte e seis anos e uma aparência de universitário recém-ingressado no meio acadêmico. Embora seja de nacionalidade inglesa, tem apreço por Mutantes, Tom Jobim, Elis Regina e sua filha Maria Rita. Acredite ou não, mas se você fechar os olhos enquanto ouve determinadas faixas do último CD de Jamie Cullum, intitulado ''Catching Tales'', terá a nítida impressão de que não se trata de um jovem despojado, mas de um crooner vestido com terno e gravata cantando à frente de um microfone art decó.
Seu primeiro álbum de projeção mundial, ''Twenty Something'', lançado em 2003, foi suficiente para angariar comentários e comparações um pouco exageradas do tipo ''Sinatra de tênis'' ou ''Diana Krall de calça''.
Apesar de sua explícita influência jazzística, o pianista também flerta com o rock e hip-hop em ''Catching Tales''; o que para muitos representa um excesso de vontade agradar, para outros ele se inclui nessa lista, reflete nada mais que seu gosto musical diversificado.
Além de estar sempre à vontade com o piano, Cullum demonstra suas habilidades musicais quando toca bateria, percussão, xilofone, teclado e programa arranjos eletrônicos. Seu irmão, Ben Cullum contribuiu com letras e tocou baixo em algumas músicas do novo trabalho.
''Get Your Way'', faixa de abertura, já demonstra bem sua indiscriminação com o casamento de estilos; metais sampleados, piano e hip-hop. Dando sequência, ''London Skies'' poderia integrar a lista de hit-baladinha de BritPop com seus backing-vocals. Programação, guitarra, teclado e piano: ''I Only Have Eyes For You'', um dos clássicos de Harry Warren, mostra o romantismo bossa-novista de Cullum com seu timbre frágil e expressivo. ''Nothing I Do'', de autoria própria, faz com que o artista incorpore a figura do sujeito classudo, típico cantor de jazz dos anos 40. ''Back The Ground'', talvez seja a mais versátil do disco; ritmo quebrado que recorda Ray Charles.
Em busca de uma musicalidade peculiar, Jamie Cullum transparece leveza incomum quando canta. Mais um integrante versátil com algo além no rol de seus antecessores de ''jazz style''.


