Um single chega às lojas britânicas amanhã. Já o álbum está programado para sair no próximo dia 30. A íntegra do repertório, porém, já está disponível em sites de troca de arquivos musicais na Internet. Intitulado ''Don't Believe The True'', o novo disco do Oasis traz a banda de Manchester de volta à velha forma.
Ninguém precisar torcer o nariz para as declarações auto-promocionais dos irmãos Gallagher. Depois de anos, dá para botar fé nos falastrões Noel e Liam. Eles finalmente gravaram um belo material, não tão fantástico quanto o título de estréia, mas no mesmo nível de qualidade do segundo trabalho e infinitamente superior aos três lançamentos de estúdio seguintes.
Oasis soa recauchutado, de fôlego renovado, lembrando o ciclo criativo que os consagrou como a ''maior e melhor banda britânica de rock desde os Beatles'', como proclamava a imprensa musical da terra da Rainha em meados dos anos 90. A farra das guitarras continua insuflando os espaços das canções, mas os detalhes de arranjo e a inspiração para fundir a acessibilidade do pop com a crueza do rock surpreendem.
Diferente dos últimos discos, ''Dont' Believe The True'' não traz canções derivativas, que repetem frases de sucessos anteriores com variação de algumas notas. ''Lyla'', a faixa escolhida para o primeiro single, nem é das melhores do álbum. Traz Liam berrando sobre as camadas de guitarras pesadas de praxe. A influência assumida dos Beatles e da fase solo de John Lennon rende ecos em faixas como ''Love Like a Bomb'' e ''Let There Be Love''.
Esta última, uma balada ao violão e piano ao fundo capaz de comover até fãs ardorosos do Blur (sabidamente rivais do Oasis), traz talvez pela primeira vez as vozes de Liam e Noel dividindo os vocais. ''Part of The Queue'', interpretada por Noel, é outra faixa marcante com batidas encorpordas à frente puxando os demais instrumentos. Aqui, o grupo contou com a participação do percussionsita cubano Lenny Castro.
O disco é potente em seu conjunto. Foi gestado arduamente, recomeçado três vezes e levado três anos para concluí-lo. Numa das etapas, a banda chegou a dispensar os produtores do duo Death in Vegas e descartar as sessões de gravação iniciais. O ataque perfeccionista deu resultado. ''Don't Believe The True'' pode não restituir o prestígio de dez anos atrás à banda, mas reúne uma rara coleção de melodias elogiáveis num só CD.

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